Sunday, October 29, 2006

Pensamentos aleatórios

Todo filho de presidente da República monitor de zoológico vira acionista de empresa com capitalização de R$ 15 milhões em menos de três anos??

Lula é o PT

artigo: Diogo Mainardi

O procurador-geral da República denunciou quarenta mensaleiros. O mais perto que ele chegou de Lula foi o 4º andar do Palácio do Planalto, ocupado por José Dirceu e seu bando. Agora ele terá de descer um lance de escadas e entrar diretamente no gabinete presidencial. Acompanhe-me, por favor. Cuidado com o degrau. Esta é a sala que pertencia a Freud Godoy, gorila particular de Lula. E aquela é a porta do escritório do presidente. Cerca de dez passos. Toc-toc-toc. Tem alguém aí? Lula saiu? A gente volta mais tarde.

Na última terça-feira, Garganta Profunda me passou os dados de um documento bancário de Freud Godoy, encaminhado pelo Coaf à Polícia Federal. Em 24 de março de 2004, ele depositou 150 000 reais na conta da empresa de sua mulher, Caso Sistemas de Segurança. Importante: 150 000 reais em moeda sonante. No documento bancário, Freud Godoy declarou que o dinheiro era fruto de "serviços prestados a clientes". Isso contradiz tudo o que ele alegou até agora. Num primeiro momento, disse que sacou os 150 000 reais para comprar equipamentos. Depois, informou que pediu um empréstimo a um amigo. Mentira. Não foi saque nem empréstimo: foi um depósito. O fato é que ninguém sabe de onde saiu tanto dinheiro e por que foi parar na conta do gorila particular de Lula.

Como Robert Redford em Todos os Homens do Presidente, arregacei as mangas da camisa e fui procurar respostas na capital federal. Pedi à CPI dos Correios para fazer o cruzamento dos dados do valerioduto com o depósito de Freud Godoy. Encontrei uma espantosa coincidência. Em 23 de março de 2004, um dia antes de Freud Godoy depositar 150 000 reais na conta de sua mulher, foram sacados 150 000 reais da conta da SMPB, de Marcos Valério, no Banco Rural. Tudo em moeda sonante. Tudo de origem desconhecida. O saque no Banco Rural foi feito pelo policial aposentado Áureo Marcato. Que voltou ao banco dois dias depois e sacou mais 150 000 reais. Onde foram parar?

Na época do depósito, Freud Godoy era assessor direto de Lula. Mas fazia um bico para o PT, montando o esquema de segurança de Delúbio Soares, que transportava malas de dinheiro sujo de um lado para o outro. Freud Godoy alugou para ele um carro blindado, comprou duas motocicletas para seus batedores e contratou uma escolta de seis policiais militares. Os 150.000 reais depositados na conta de sua mulher podem ter sido o pagamento pelo serviço. Os policiais contratados para escoltar o tesoureiro do PT contaram a VEJA que Freud Godoy, entre outras coisas, era encarregado de organizar os encontros secretos entre Lula e Delúbio Soares. Pode-se imaginar o que eles discutiam.

Lula está praticamente reeleito. Os brasileiros o perdoaram. Mas a bandidagem da qual ele se cercou continuará a rondá-lo para sempre. É assim que será recordado. Por mais que tente se esconder, Lula é o PT. Lula é Delúbio Soares. Lula é Marcos Valério. Lula é o golpismo do mensalão e do dossiê Vedoin. Abra a porta, Lula. Toc-toc-toc.

Thoreau contra o lulismo

artigo: Diogo Mainardi

O Brasil é ruim. Irá piorar.

Eu sempre acreditei nisso. Acredito cada vez mais. O Brasil já era ruim antes de Lula. Com ele ficou ainda pior. Ninguém conseguiu evidenciar nossa ruindade com tanta clareza quanto ele. E ninguém deu tanta garantia de que tudo iria piorar.

O homem certo para este momento é Henry David Thoreau. Leia Thoreau. Releia Thoreau. Declame Thoreau em voz alta. É o melhor remédio para todos aqueles que foram atropelados pelo lulismo triunfante.

Thoreau era um abolicionista americano. Ele rejeitava a escravidão embora a maioria dos eleitores de seu tempo a apoiasse. Em seu principal ensaio, Sobre o Dever da Desobediência Civil, ele argumentou que há algo superior à vontade da maioria: é a moral de cada um. "Minha única obrigação é fazer em todos os momentos o que considero certo."

Mas recomendo Thoreau por outro motivo. Um motivo menor. Um motivo mais mesquinho. Recomendo-o apenas porque ele permite insultar pesadamente o eleitor mantendo uma certa pompa, um certo brilho. Thoreau disse: o eleitor é um cavalo. Ele disse também: o eleitor é um cachorro. Eu repito, citando Thoreau: o eleitor é um cavalo, o eleitor é um cachorro, o eleitor é um cavalo, o eleitor é um cachorro, o eleitor é um cavalo, o eleitor é um cachorro. Insulte o eleitor. Sem perder a pompa, sem perder o brilho.

Thoreau: Cavalo. Cachorro.

Thoreau defendeu o direito de repudiar a autoridade do governo. Eu sou o Thoreau dos pobres. O Thoreau bananeiro. Repudio a autoridade de Lula. Lula pode ser o seu presidente. Meu ele não é. Meu senso de moralidade é superior ao dele. Lula é o chefe de uma junta de golpistas. Referendá-lo significa referendar o golpismo. Cassei sua candidatura um ano e meio atrás. Unilateralmente. Ele que fique com seus doleiros, com seus laranjas, com seus lobistas, com seus assessores, com seus jornalistas, com seus mensaleiros, com seus filhos, com seus gorilas, com seus bicheiros.

A forma que Thoreau encontrou para repudiar a autoridade do governo foi simples e direta: recusou-se a pagar impostos por seis anos. Chegou a ser preso por causa disso. Só foi solto porque uma tia saldou seus débitos. A revolta fiscal é o melhor meio de protesto que há. Muito melhor do que passeata. Muito melhor do que comício. Quem gosta de muita gente aglomerada é lulista. Prefiro me reunir com meu contador em seu escritório mofado, arrumando maneiras mais eficientes para burlar o Fisco. Falta somente uma tia rica para me tirar da cadeia.

O lulismo precisa de dinheiro para funcionar. Dinheiro limpo e dinheiro sujo. Meu terceiro turno será combater a CPMF. Eu sei que é um combate pouco heróico. Mas alguém realmente esperaria gestos heróicos de mim? Abolindo a CPMF, sobrará menos dinheiro para financiar o golpismo lulista. E para comprar os eleitores.

Thoreau: Cavalo. Cachorro.

É preciso civilizar os bárbaros do PT

Artigo: Reinaldo Azevedo

Faz 26 anos que os democratas se ocupam de atrair o PT para a civilização. Os tupinambás e os caetés, no entanto, resistem e tentam impor o canibalismo como algo doce e decoroso. Antes, tingiam a cara para a guerra e nos propunham o dilema: "Socialismo ou barbárie". Com o tempo, eles mesmos fizeram a opção sem nem nos dar a chance de escolher: barbárie! Institucional, quando menos. Mas continuamos aqui, firmes no nosso papel de jesuítas, crentes na nossa missão civilizadora, esforçando-nos para catequizá-los, fingindo que são tupis amistosos – tentando, enfim, emprestar-lhes alguma metafísica. Mas quê... Tenho cá as minhas dúvidas se os aborígines não estão vencendo. Em vez de o primitivismo ser domado, o que vejo é muita gente a flertar com Guaixará, Aimbirê e Saravaia, invertendo o fluxo histórico da civilização.

Os três acima eram os demônios da peça Auto de São Lourenço, do padre Anchieta (1534-1597), representada para os índios e para os primeiros colonos. Lembro-me de um livro que ganhei quando criança. Havia uma ilustração do jesuíta fazendo um poema na areia com um galho ou cajado. A catequese é mais do que um confronto de culturas. É um choque entre tempos. Trata-se do encontro de homens que estão em estágios diversos de domínio da natureza. Um trazia a escrita, a abstração, a realidade como conceito; outros viviam imersos no gozo, no terror e na ignorância. Antropólogos vão protestar. Para eles, pouco importa por que cai a maçã. Qualquer explicação "cultural" vale a pena. Continuo a achar libertadora a lei da gravidade...

Anchieta era um grande educador. Deixaria arrepiados os seguidores do "pedago-demagogo" Paulo Freire. O padre também usava o universo do "educando" (meu micro quase trava diante da palavra...) para passar uma mensagem "libertadora". Empregando elementos da cultura dos indígenas, queria tirá-los de sua crença e lhes ensinar os valores cristãos. Por isso, ridicularizava o seu modo de vida, em vez de adulá-lo. Devemos muito a esse padre. Guaixará, por exemplo, recitava: "Boa medida é beber / cauim até vomitar. / Isto é jeito de gozar / a vida, e se recomenda / a quem queira aproveitar. / A moçada beberrona / trago bem conceituada. / Valente é quem se embriaga / e todo o cauim entorna, / e à luta então se consagra".

Como se vê, Anchieta fazia o contrário do que fazem as ONGs financiadas pelo petismo e por entidades estrangeiras que se encantam com os aborígines alheios. O que o padre associava ao mal e exibia como hábito a ser vencido seria, hoje em dia, exaltado como cultura de resistência. Reparem como a educação formal, do "centro", foi invadida pela chamada "cultura da periferia". Isso é verdade tanto dentro do Brasil como na relação do país com o mundo. Há mais antiamericanos na USP do que em Bagdá ou em Cabul. O Brasil não aceita ser humilhado pelos EUA e pelo FMI. Só pela Bolívia e por Evo Morales. A reeleição de Lula corresponde à vitória do recalque do oprimido.

Falando a catadores de papelão e a sem-teto na quinta, no Palácio do Planalto, Lula Aimbirê disse que nunca antes gente como aquela entrou em palácios. Como se vê, ele precisa de gente como aquela para fazer discursos como aquele... Mais de 400 anos depois, Saravaia dá um pé no traseiro de Anchieta e diz: "Nós vencemos".

Esta nossa catequese política, um tanto infrutífera, também vive, a exemplo da outra, um choque de tempos. A economia da informação do século XXI, os indivíduos conectados à rede e à diversidade, a vitória inequívoca do capitalismo, o triunfo das sociedades abertas, tudo isso tem de conviver com um partido que é herdeiro do Terror Jacobino do século XVIII, do marxismo do século XIX e da Revolução Russa de 1917.

O partido só entende o exercício do poder como golpe e eliminação do outro – ainda que este herdeiro daquelas vocações totalitárias faça a mímica da democracia. Quando se acredita que se converteram, são flagrados comprando um naco do Parlamento. Quando se supõe que estão assustados, tentam golpear as eleições com dossiês fajutos. Quando a gente acha que estão rezando o "creio-em-deus-pai" da democracia, estão se entupindo de cauim, mobilizando instrumentos do Estado a seu próprio serviço. Até vomitar.

O conteúdo que se queria utópico daquelas formulações dos séculos XVIII, XIX e XX ganhou uma nova feição, é verdade, e faz concessões aparentes ao estado de direito. Alguns tantos sustentam que, do totalitarismo jacobino-bolchevista, teria restado tão-somente a moldura, uma vez que não seria lícito duvidar da adesão dos tupinambás e caetés ideológicos à economia de mercado e à democracia. Quantas vezes é preciso que o diabo sapateie no altar para que se reconheça a sua real natureza?

Os "bons selvagens" perderam a batalha para uma teologia e uma tecnologia superiores. Já os maus selvagens decidiram partir para a guerra de valores. Lula e seus rapazes não aceitam mais ser "colonizados" pela democracia. Olham para o conjunto de leis do país e, a exemplo de Guaixará, recitam: "Vêm os tais padres agora / com regras fora de hora / pra que duvidem de mim. / Lei de Deus que não vigora".

O PT conseguiu eliminar a hierarquia de valores que regula a vida em sociedade, de modo a conduzi-la a um estado de permanente subversão. Vale atribuir ao adversário uma intenção que ele não tem, obviamente mentirosa, e, a exemplo do que afirmou Lula num debate, o outro "que desminta". Jaques Wagner, governador eleito da Bahia, um dos caciques petistas, sob o pretexto de defender o bom princípio de que ninguém é obrigado a se auto-incriminar no estado de direito, afirma que o acusado tem o "direito de mentir". Não, meu senhor! Mentir à polícia è a Justiça é um risco, não um direito. O petismo é mestre não propriamente em negar a verdade, mas em corrompê-la. É por isso que precisa tanto do concurso de um criminalista.

Ou o petismo passa a ser visto no curso de uma revolução cultural ou jamais será entendido – e vencido. E o canibalismo será regra. Numa campanha eleitoral sem propostas, sem valores, sem alternativas, sem diferenças de conteúdo, aborrecida a mais não poder, resta, sem dúvida, uma intenção, anunciada por Lula, que faz toda a diferença. No debate da Rede Record, deixou entrever a disposição de estudar o que eles chamam de "controle social dos meios de comunicação". Trata-se de um eufemismo e de uma perífrase para "censura". O PT vê em cada veículo – ou, vá lá, em boa parte deles – um bispo Sardinha dando sopa. Sabe que a imprensa livre é o Evangelho da democracia; que ela guarda seus segredos e seus fundamentos.

Estamos vivendo os nossos dias de Hans Staden (1525-1579), o aventureiro alemão que caiu presa dos tupinambás. Deu sorte: conseguiu sair vivo. No cativeiro, observou os costumes dos antropófagos e depois redigiu um relato de viagem que fez grande sucesso na Europa. Ajudou a espalhar a lenda de que, por estas plagas, comer gente era prática corriqueira – os tupis, coitados, gostavam mesmo era de uma capivara e de um macaco. Alguns acreditam de tal modo na superioridade de sua teologia e de seus hábitos alimentares que observam os seus raptores com interesse antropológico, mal disfarçando certa simpatia por aqueles que os ameaçam.

Estou fora dessa. Quero os tupinambás e os caetés ajoelhados. Sob o signo da Cruz da civilização. Os petistas devem acionar a tecla SAP para metáforas e metonímias neste último parágrafo.

Sunday, October 01, 2006

Resultado final - 1° turno

Lula - 48,61%

Alckmin - 41,64%

Alckmin é o grande vitorioso. Sai na frente no segundo turno. O papai-presidente saiu derrotado. Agora é uma nova campanha e as chances de se apear o "guia" do poder aumenta a cada dia.

Estamos em campanha. Eu estou em campanha. Eu sou o anti-Lula.


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2° TURNO

CHUPA LULA!!!!!!!!!!!!!!!!

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Dever cívico

As eleições de hoje são o ponto culminante da mais longa campanha eleitoral de que se tem notícia no Brasil. Desde 1º de janeiro de 2003, quando assumiu a Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva não deixou, um dia sequer, de se dedicar à campanha para a reeleição. Tudo o que fez, durante seu governo - a começar pelos discursos de cada dia -, teve como objetivo esticar o mandato por mais quatro anos - seus companheiros de copa e cozinha ainda alimentam planos para ficar pelo menos 20 anos no poder. O preço dessa ambição tem sido caríssimo para o Brasil.
Nestes quatro anos, não houve Poder que ficasse imune ao processo de desmoralização das instituições levado a cabo pelos companheiros que Lula colocou em postos-chave para executar o plano de conquista e manutenção do poder. O achincalhe chegou à ante-sala do presidente, no Palácio do Planalto, tomou de assalto Ministérios, invadiu o Congresso e respingou no Judiciário. A tudo isso o presidente Lula assistiu, impassível. Quando muito, classificou os crimes capitulados em lei, cometidos por mensaleiros, sanguessugas e gen
te da mesma laia, como 'erros', pequenos percalços corrigidos com um puxão de orelha. À lassidão moral que tomou conta das instituições somou-se o entorpecimento das consciências. Embora o presidente Lula seja, de fato, o maior comunicador de massas que já surgiu na política nacional, por si só essa qualidade não bastaria para mesmerizar a maioria dos eleitores, a ponto de cegá-los para os escândalos, a corrupção e o mau desempenho administrativo do governo petista. O que, decisivamente, consolidou e ampliou a popularidade de Lula, conquistada pelos bons resultados da política monetária em termos de controle da inflação e da política de assistência social, foram as 'bondades' praticadas com largueza com o dinheiro público - sendo o melhor exemplo disso o próprio Bolsa-Família, que triplicou neste ano eleitoral o número de beneficiários.
Esses fatos marcam a diferença entre o pleito de hoje e as circunstâncias que cercaram as eleições de quatro anos atrás. Em 2002, o presidente Fernando Henrique comportou-se como um magistrado - o que Lula, então, teve de
reconhecer. Não transigiu com a austeridade fiscal e administrativa que era a sua marca desde que implantou o Plano Real, como ministro da Fazenda. Não colocou nem permitiu que se colocasse a máquina administrativa a serviço dos candidatos de seu partido. Enfim, deu à democracia brasileira um vigor e uma profundidade sem precedentes. O resultado foi o nivelamento das oportunidades eleitorais, o que permitiu que o eleitorado - que ansiava por mudanças, desde que feitas no quadro da estabilidade - se voltasse para a candidatura de Lula, que meses antes da eleição havia abandonado o programa radical do PT, comprometendo-se com a continuidade da austeridade fiscal e monetária.
Quatro anos passados, do aperfeiçoamento das instituições, das reformas estruturais, da modernização do Estado para colocá-lo a serviço da população, e não de um grupelho que dele se serve, disso tudo só restam, quando muito, alguns resquícios. Os vícios político-eleitorais, que se acreditava expungidos da vida pública, voltaram revigorados. É contra esse estado de coisas que os brasi
leiros devem reagir - hoje, nas urnas.
Nas últimas semanas, sempre que surge um fato política e moralmente desabonador para o candidato à reeleição e seus 'meninos aloprados' - e tais fatos abundam -, eles, Lula à frente, têm denunciado que está em marcha um plano golpista para negar-lhe um segundo mandato. Inebriado pela sua popularidade, o presidente age como se tivesse direito divino a um outro período de governo. Nem ele tem esse direito nem há golpismo no ar - a não ser na nem um pouco ingênua imaginação dos estrategistas do projeto de poder do PT.
O presidente Lula, cuja eleição de quatro anos atrás foi um sopro de esperança de renovação da vida política nacional, hoje é, por ação e omissão, o grande responsável pela desmoralização do Congresso, pela politização da máquina administrativa e pela crescente repulsa da sociedade pela atividade política. É contra isso que é preciso resistir. Ao contrário do que afirma o presidente Lula, para justificar a bandalheira de seus 'meninos', nem todos os políticos são iguais e nem todos os partidos são semelhantes. Hoje é dia de o eleitor consciente exigir a volta da ética na política e da probidade na administração.

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Voto pela Democracia

Fernando Henrique Cardoso

Hoje cerca de 100 milhões de brasileiros irão às urnas. Sabemos das distorções de nossa democracia. Apesar disso, se fizermos a reforma eleitoral e introduzirmos o voto distrital, se o Congresso não anular a cláusula de barreira e assegurar na legislação a fidelidade partidária, teremos dado passos importantes. Falta, entretanto, o principal: que os partidos tenham um significado mais claro para o povo e que o mundo político não continue tão afastado da sociedade. O resto dependerá da consolidação da democracia em sentido amplo, com maior acesso à informação, melhor sistema educacional e maior disponibilidade de canais para a participação de segmentos crescentes da sociedade no processo deliberativo, e não apenas no processo eleitoral.
Estamos longe deste ideal.
Nem por isso o significado do
voto deve ser diminuído. Ganhe quem ganhar (e eu luto para que Geraldo Alckmin seja eleito), a voz das urnas será acatada e seu significado precisará ser decifrado. Depois da avalanche de escândalos e da desfaçatez do presidente em se livrar de qualquer responsabilidade pelas muitas arbitrariedades e falcatruas que seus mais íntimos colaboradores e os líderes de seu partido orquestraram, seria de pasmar que ele ganhasse no primeiro turno. Entretanto, mesmo que a votação em Alckmin e nos demais candidatos de oposição nos leve ao segundo turno, como acho desejável e possível, uma enxurrada de votos será despejada no novo taumaturgo, o homem que se crê a encarnação viva de nossa História e dos destinos do País e que, só por esquecimento, não proclamou a independência no último 7 de setembro.
Entende-se que milhões de votos que o sufragarão venham do povo mais pobre e também dos beneficiários do setor financeiro e de alguns setores das atividades econômicas ou da burocracia pública. Há razões concretas para isso. Afinal, dada a conjuntura econômica mundial favorável, dada a continuidade da 'herança maldita' com seus desdobramentos nas políticas públicas, houve melhoria das condições de vida e na economia. Neste caso, o voto encontra apoio em interesses concretos e legítimos. Mas não é só isso que está em causa.
Até passado recente milhões de brasileiros tinham confiança quase ilimitada em Lula.
Ele se notabilizara como um lí
der sindical que expressava um momento novo da sociedade e era autêntico. Recusava epítetos ideológicos e, quando lhe perguntavam se era de esquerda ou socialista, respondia que era torneiro mecânico. Tosco, mas vigoroso e verdadeiro. Conheci-o de perto nessa época e o respeitava como pessoa e como símbolo. Este respeito se manteve nas campanhas em que lutamos juntos, nas em que fomos adversários e naquela em que ele foi vencedor. Sempre o achei mais símbolo que líder, e digo isso não para diminuí-lo, posto que líderes há muitos e símbolos são poucos.
Entristece-me vê-lo agora despedaçando seu significado e se transformando num político banal, esperto, que diz uma coisa hoje, outra amanhã, que beija a mão em que cuspia e outra coisa não faz com o prato no qual está comendo, a 'herança maldita', como a qualifica. Tenta desfigurar o enorme esforço feito pelo País, com o Plano Real, a reconstrução do Estado, a renovação das políticas públicas, a rede de proteção social, a consolidação da democracia e a luta por um Brasil mais decente.
Que ele se pense pai dos pobres e mãe dos ricos, que creia
ser alguém que não erra nem dá o braço a torcer, que nada tem que ver com os desvios de conduta de seus ministros, dos dirigentes políticos que escolheu ou de auxiliares próximos, tanto melhor para seu conforto. O grave é quando seus partidários o acompanham nesse sentimento: a reação do presidente do PT, acusado pelo presidente de responsável pela montagem do grupo que urdiu o infame dossiê Cuiabá, 'se Lula falou, está falado', é a demonstração cabal do aviltamento do que outrora se considerava e era um partido de esquerda. Um partido que nasceu para ampliar a participação popular se transformou em máquina burocrática que a sufoca.
Um partido que nasceu reformador na esquerda e um líder que veio para renovar caíram na armadilha do clientelismo e do patrimonialismo, vestindo-os com os trajes 'modernos' da sociedade em redes: encastelaram-se no Estado, formaram novos anéis burocráticos, articularam-se com os interesses da grande empresa. Dispondo das técnicas de espionagem e de 'expropriação' herdadas do romantismo revolucionário, ampliaram de muito a capacidade de se informar e de utilizar as brechas do controle social para obter recursos ilegítimos.
O que está em jogo é, portan
to, muito mais do que discutir até que ponto houve avanços sociais ou econômicos no governo Lula e compará-los com o governo passado. Quantos ditadores ou populistas justificaram seus arbítrios e aumentaram sua popularidade alegando ganhos materiais, reais ou imaginários, para o povo? Não estou falando de 'chavismo' ou coisa que o valha. Lula é bastante conservador e nada tem de antiamericano ou de antiglobalização para arriscar-se a tais propósitos. Falo de algo mais essencial: o abastardamento da função pública, o fomento à arapongagem particular ou partidária, o avanço do PT e seus aliados no controle da máquina pública e das empresas do Estado, transformando-as em instrumentos vis a serviço da sordidez, como se viu na quebra de sigilo da Caixa Econômica ou, agora, no envolvimento de um diretor do Banco do Brasil em operação de chantagem. Em suma, o desvirtuamento da democracia.
Esta precisa consolidar-se
como um sistema em que as escolhas se baseiam em informações, na deliberação, e não na manipulação das massas, no controle de uma burocracia partidária ou na idolatria de um líder. Quem mina o ideal democrático com estas práticas não pode receber o apoio dos democratas. Além das qualidades intrínsecas que Geraldo Alckmin possui para receber o voto, há, portanto, uma questão de princípio envolvida na decisão eleitoral. Os eleitores têm motivos suficientes, portanto, para barrar o descalabro das instituições e a desmoralização das práticas democráticas.?


Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, foi presidente da República

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Friday, September 29, 2006

The Economist prevê quatro anos de crescimento mediócre e poucas reformas

A revista britânica "The Economist" dedica a capa de sua edição desta semana, que foi às bancas ontem, à disputa pela liderança na América Latina entre os presidentes do Brasil e da Venezuela.

A matéria principal trata da eleição brasileira deste domingo. Há ainda uma reportagem sobre a campanha venezuelana por um assento rotativo no Conselho de Segurança da ONU. E, por fim, um editorial que liga os dois personagens.

Na reportagem especial sobre as eleições, intitulada "Ame Lula se você for pobre, preocupe-se se não for", a "The Economist" traça um perfil do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e analisa as suas chances de reeleição.

A revista identifica em Lula um administrador pouco eficiente, mas uma figura carismática com a população de baixa renda. Chama-o de "Evita de barba", numa referência à argentina Evita Perón, a protetora dos descamisados. Em nenhum momento o texto se empolga com Geraldo Alckmin.

Apesar de reconhecer avanços na área social, a "Economist" não vê facilidades para o presidente caso ele seja reeleito, e aponta uma tendência de mais quatro anos de performance medíocre no que tange o crescimento da economia.

Argumenta que os escândalos que rondam a campanha devem se tornar empecilhos para a governabilidade do país, pois afastariam de modo peremptório os entendimentos com a oposição.

E isso numa situação em que o governo deve ter um "déficit de representação" no Congresso, o que dificultará ainda mais as reformas de que o país precisa, tão conhecidas que "já viraram até piada".

A revista acena para a disputa presidencial pós-Lula. Elogia o "choque de gestão" em Minas Gerais feito pelo governador Aécio Neves. "Mr. Neves" aparece com uma imagem melhor do que Lula.

Nova previsão do PIBinho (para baixo, claro)

O Banco Central divulgou ontem o relatório trimestral de inflação de Setembro, onde mostra as previsões de inflação corrente e futura e do crescimento do PIB, entre outras coisas.
O BC reduziu sua previsão de inflação para este ano de 3,8% para 3,4%, e para 2007 aumentou, de 4,2% para 4,3. Além disso, reduziu sua previsão de crescimento do PIB deste ano de 4% para 3,5%.
Só o BC ainda não sabia que o PIB não iria crescer 4%. Mas fora isso, o que mais me chamou a atenção na mudança da previsão foi o lado da demanda do PIB (que pode ser analisado sob diversas óticas, entre elas a ótica da demanda): de todos os itens que formam a demanda do PIB (Formação Bruta de Capital Fixo, ou Investimentos; Consumo familiar; Exportações; Importações; Consumo do governo), TODOS, com exceção do consumo do governo, apresentaram redução (ver quadro):

O que isso quer dizer? Quer dizer que o setor privado vai crescer menos e o setor público, aumentar seus gastos. O aumento dos gastos do governo impediu que o PIB caísse mais do que o projetado no novo relatório do BC.
Em resumo: o PIB não vai cair mais porque o governo vem gastando muito. Isso é mau sinal.

Pensamentos aleatórios

Quem anda com aloprados, aloprado é?

Tuesday, September 26, 2006

Lost

Pra quem não aguenta mais ficar sem Lost, dêem uma olhada no vídeo promocional da terceira temporada...


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Tuesday, September 19, 2006

O PT chafurda na lama

Editorial do jornal O Estado de S. Paulo de hoje, p.A2.
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Tendo sangrado o erário em pelo menos R$ 110 milhões vendendo ambulâncias superfaturadas a centenas de prefeituras, a família Vedoin, com os bens bloqueados pela Justiça, aplicou um formidável conto-do-vigário no partido do mensalão, que só serviu para deixar a nu a desenvoltura com que os companheiros do presidente Lula se esbaldam na lama do 'submundo do crime', como disse o candidato Geraldo Alckmin. Pela módica soma de R$ 1,750 milhão - módica perto dos R$ 20 milhões que queriam originalmente tomar do PT -, os vigaristas fariam chegar documentos cabeludos a dirigentes petistas, por interpostos cúmplices, e usariam a imprensa para fazer revelações que comprometeriam com a máfia dos sanguessugas o ex-ministro José Serra, franco favorito na disputa pelo governo paulista, o seu sucessor na Saúde, Barjas Negri, atual prefeito de Piracicaba, e até mesmo Alckmin.
Puro blefe. O material do alardeado 'dossiê' contra os tucanos vale nada. Usadas para dar a entender que eles tinham parte com a fraude, as imagens em que aparecem em entregas de ambulâncias, ao lado de futuros denunciados pela maracutaia, são de uma ridicularia atroz: resumem-se a instantâneos das servidões da política, que não permitem ao administrador público selecionar as companhias em eventos que demandam a sua presença. Já o mesmo não se pode dizer das cenas que mostram o presidente dividindo palanque, em Belém, com tipos notórios da estatura de Jader ('Sudam') Barbalho, Ademir ('Docas do Pará') Andrade e Paulo ('Mensalão') Rocha. Afinal, Lula escolheu tê-los como aliados. Mas nem por isso se o acusará de corrupto. Ou de ter ciência da baixaria que considerou 'abominável', só porque, numa foto de 2002, caminha ao lado do segurança e funcionário palaciano Freud Godoy, acusado de ser o operador da torpeza. Ele se demitiu ontem.
A entrevista dos Vedoins à revista IstoÉ
completa a vigarice. Nela, o executivo da máfia, Luiz Antonio Vedoin, afirma o que negou enfaticamente à CPI dos Sanguessugas, no começo de agosto. No depoimento, apesar do fogo cerrado de parlamentares petistas, negou ter testemunhado ou participado de qualquer ilícito na liberação de recursos para as compras de ambulâncias quando o ministro da Saúde era José Serra. 'Não era eu que fazia o governo liberar, liberava-se normal', recordou. 'Com o José Serra, nem (contribuição) legal, nem ilegal, não foi passado nenhum valor para ele.' Ao semanário, preferiu falar que o pagamento de propina pelas liberações 'era nítido a todos'. O entrevistador não o cobrou pela contradição. Na mesma sexta-feira em que a revista saiu, com um dia de antecipação, a capa bombástica onde se lê 'Os Vedoin acusam Serra/ ´Quando Serra era ministro, foi o melhor período para nós´' estava no horário de propaganda de Orestes Quércia - que decerto conhece a inside story da operação. É em meio a esse lodaçal que se aproxima do fim a mais oca das campanhas eleitorais. Um petista de carteirinha, Valdebran Carlos da Silva Padilha, e um advogado e ex-agente da Polícia Federal, Gedimar Pereira Passos, foram presos enquanto esperavam em um hotel o 'dossiê' que lhes seria entregue pelo tio de Luiz Antonio, Paulo Roberto, não tivesse ele sido detido pela PF em Cuiabá, ao embarcar para São Paulo. Gedimar examinaria a autenticidade do material; estando tudo certo, Valdebran faria o pagamento. Não está claro por que os federais impediram a sua viagem e a dos Vedoins, perdendo com isso a oportunidade de apanhá-los todos em flagrante.
Não está claro, tampouco, por que o órgão policial, cujo titular responde diretamente ao ministro da Justiça, desta vez não chamou a imprensa para fotografar o dinheiro e os pagadores, mas exibiu as peças do 'dossiê'.
O certo é que um crime eleitoral foi cometido a mando de alguém mais importante na hierarquia petista do que o mato-grossense Valdebran, com a autorização ou o conhecimento sabe-se lá de quem, e com dinheiro vivo (dólares e reais) cuja origem precisa ser conhecida não menos rapidamente do que a identidade do(s) criminoso(s). Quaisquer que sejam as conseqüências políticas, é imperioso que a responsabilidade pelo delito - ou pelo 'erro', no jargão do PT - não fique circunscrita a um ou outro solitário companheiro supostamente agindo por conta própria. E isso exige que o conto-do-vigário seja investigado em todas as suas ramificações, com o engajamento do Ministério Público e da Justiça Eleitoral.

Freud explica - 1

Página 4 do jornal O Estado de S. Paulo de hoje.
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Envolvimento com dossiê Vedoin derruba assessor especial de Lula
Procurador da República cogitava ontem pedir a prisão preventiva de Freud Godoy, que depôs na PF
Tânia Monteiro Bruno Winckler Paulo Baraldi
O assessor especial da Secretaria Particular da Presidência da República Freud Godoy, apontado como o petista que contratou os intermediários do dossiê Vedoin, caiu ontem.
Freud acertou sua saída com o Planalto depois de conversar de manhã ao telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Oficialmente Freud deixa o governo por vontade própria.
Como informou o
Estado ontem, o assessor da Presidência foi envolvido a partir de depoimento dado à PF por um dos presos no caso. Na sexta-feira, a PF deteve Gedimar Passos e Valdebran Padilha com R$ 1,75 milhão em um hotel de São Paulo. O dinheiro seria entregue a Luiz Antônio Vedoin, dono da empresa que atuava como pivô da máfia dos sanguessugas. Gedimar disse ao depor que a operação foi acertada com alguém chamado Froude ou Freud.
A PF suspeita que o dinheiro serviria para pagar Vedoin por dossiê destinado a ligar candidatos tucanos ao esquema de venda de ambulâncias superfaturadas. Outra possibilidade é que a quantia servisse para remunerar entrevista concedida por Vedoin à revista
IstoÉ,na qual ele faz acusações contra José Serra, ex-ministro da Saúde, e seu sucessor, Barjas Negri.
Freud é muito próximo do presidente Lula, com quem trabalhou desde os anos 80. Ontem, foi Lula quem ligou para ele. O presidente tinha pressa em resolver o futuro do auxiliar porque, no fim da manhã, deveria embarcar para Nova York.
Lula teria ficado irritado com o
envolvimento no caso de alguém tão próximo dele. 'Pode dormir tranqüilo que tenho como provar que não tenho nada com isso', teria dito Freud ao presidente, segundo relatou mais tarde. No Planalto, colaboradores divulgaram a versão de que o presidente acreditou nele. Mesmo assim, disseram, Lula decidiu afastá-lo.
Decidido o desenlace, foi montada operação para concretizá-lo. Freud fez um pedido de demissão, encaminhado via e-mail para o chefe de gabinete do presidente, Gilberto Carvalho, a quem ele está subordinado. A saída de Freud também passou pela ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil. Com os procedimentos, o presidente Lula acabou embarcando para os EUA com mais de uma hora de atraso. No Diário Oficial da União de hoje, a saída deve aparecer como 'a pedido'.
No início da tarde, Freud se apresentou à PF em São Paulo.
Segundo seu advogado, Augus
to Botelho, houve acareação com Gedimar, que preferiu se manter em silêncio. Botelho considerou a acusação contra Freud 'inverídica, absurda e fantasiosa'. O advogado disse acreditar que Freud foi apontado como contratante por ter nome 'quase cinematográfico' e 'muito fácil de falar'.
O procurador da República Mário Lúcio Avelar cogitava ontem pedir a prisão preventiva de Freud.

Sunday, September 17, 2006

Lula prefere o segundo turno



Mauro Chaves
Disse o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, que o presidente Lula está preparado para se reeleger tanto no primeiro quanto no segundo turno. Se tivesse maior sensibilidade para captar o recôndito da alma presidencial, certamente o ministro entenderia que Lula, embora não se aborreça se ganhar no primeiro, tem sólidos motivos para preferir muito mais sua reeleição no segundo turno.
Antes de mais nada, Lula bem sabe o quanto representa a necessidade de trabalho e emprego nos dias que correm. E o segundo turno nas eleições presidenciais significa mais um mês de trabalho para milhares de pessoas. Os que têm a função de elaborar os programas do horário gratuito no rádio e na televisão - produtores-executivos, diretores, roteiristas, cenógrafos, cinegrafistas, figurinistas, continuístas, músicos, sonoplastas, locutores, pesquisadores, etc.; os incumbidos dos materiais gráficos e têxteis de propaganda, tais como desenhistas, produtores de cartazes, bandeiras, banners, camisetas, bonés, etc.; os encarregados e operadores de equipamentos de som, de transporte, de telemarketing, de logística, os merendeiros, panfleteiros, seguranças, motoristas, enfim, há batalhões de profissionais que, caso a eleição se definisse já no primeiro turno, perderiam repentinamente uma importante - mesmo que temporária - fonte de rendimento.
O segundo motivo relevante
para Lula preferir o segundo turno é o da governabilidade.
Confirmando-se as previsões
segundo as quais o Partido dos Trabalhadores (por sabidas razões) estará minguado depois das próximas eleições, se Lula se reeleger precisará construir uma sólida base de apoio multipartidário, sob pena de ter de afundar-se, de novo, no sistema de cooptação via mensalão.
Ora, que melhor ajuste em prol da governabilidade haveria do
que aquele negociado em função dos indispensáveis apoios para o sucesso eleitoral no segundo turno? O aliado do segundo turno vale mais que o do primeiro, porque é uma força nova, agregadora, com a motivação de quem salta da derrota para a parceria na vitória, com base no sábio mandamento do sucesso, que é o if you can´t beat him, join him.
O terceiro motivo é o da credibilidade, que Lula precisa conectar à sua popularidade - características essas que não se confundem, visto que a ocorrência de uma não implica a existência da outra, mas ambas são necessárias para o êxito de qualquer político, especialmente um chefe de Estado e de governo. Essa credibilidade só poderá ser recuperada quando o eleitor perceber que aquele que pretende continuar exercendo o mais elevado cargo da República está agora, de fato, mais preparado para a função, sob o ponto de vista dos conhecimentos adquiridos, da experiência acumulada, do comportamento ético adotado e de tudo o mais que exija demonstração direta e ao vivo, perante o eleitorado, sem a ajuda dos textos alheios lidos no teleprompter ou dos truques mirabolantes engendrados pelos marqueteiros. Quer dizer, é a credibilidade que deriva da imagem da sinceridade não representada, da competência não fingida e da capacidade de raciocínio que só se comprova nos momentos inesperados dos debates, na superação das dificuldades causadas pelas perguntas, réplicas e tréplicas dos adversários, dentro da prática essencialmente democrática do debate público-político.
Certamente o presidente Lula não se contentará em ser reeleito apenas em razão do 'puro assistencialismo' do Bolsa-Fa
mília, 'que não liberta ninguém da miséria', apesar de significar 'tutti votti garantiti' de dezenas de milhões, como a ele se referiu o companheiro Frei Betto em entrevista recente ao Corriere Della Sera.Um presidente da República 'que agora conhece o mundo e o mundo o conhece', além de votado, tem de ser respeitado. E para voltar a ser respeitado o presidente precisa de mais tempo - pelo menos um mês - para explicar ao País e ao mundo o significado preciso das frases que pronunciou durante seus primeiros quatro anos de gestão, tais como:
'Eu gostaria de ter estudado latim, assim eu poderia me comunicar melhor com o povo da América Latina.'
'A grande maioria de nossas importações vem de fora do País.'
'Se não tivermos sucesso, corremos o risco de fracassarmos.'
'Uma palavra resume provavelmente a responsabilidade de qualquer governante. E essa palavra é ´estar preparado´.'
'O futuro será melhor amanhã.'
'Eu mantenho todas as declarações erradas que fiz.'
'Nós temos um firme compromisso com a Otan.
Nós temos um firme compromisso com a Europa. Nós fazemos parte da Europa.'
'Um número baixo de votantes é uma indicação de que menas pessoas estão a votar.'
'Nós estamos preparados para qualquer imprevisto que possa ocorrer ou não.'
'Para a Nasa, o espaço ainda é alta prioridade.'
'Não é a poluição que está prejudicando o meio ambiente. São as impurezas no ar e na água que fazem isso.'
'É tempo para a raça humana entrar no sistema solar.' Ninguém duvida da sinceridade do presidente quando ele afirma que a maior de todas as suas prioridades é a educação. Mas, como se sabe, um exemplo vale mais do que mil palavras. Ao explicar o sentido das mencionadas frases, o presidente provavelmente estará ilustrando, melhor do que ninguém, o verdadeiro significado do milagre da educação. Por tudo isso, é dever dos que desejam a recuperação do respeito e da governabilidade do presidente Lula votar em outro candidato presidencial, para que por meio do segundo turno se organizem melhor as forças que possam dar efetiva sustentação político-parlamentar ao que comandará os destinos da Nação nos próximos quatro anos.


Mauro Chaves é jornalista, advogado, escritor, administrador de empresas e produtor cultural. E-mail: mauro.chaves@attglobal.net

Tuesday, September 12, 2006

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Essa é uma colagem dos melhores candidatos de MG


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Vote no Menestrel...


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Não se esqueçam do nome dele hein


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Olhe para a lente da verdade e diga se ele não merece o título de mais bisonho


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