Monday, September 11, 2006

Saturday, September 09, 2006

Por que o Brasil não cresce?

Segue artigo publicado hoje, dia 08/09/2006, no jornal O estado de S. Paulo, p.2, de autoria dos economistas José Roberto Mendonça de Barros, Luiz Carlos Mendonça de Barros e Paulo Pereira Miguel.

Não nos iludamos. O país está em rota de colisão com o caos.

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Por que o Brasil não cresce?

José Roberto Mendonça de Barros, Luiz Carlos Mendonça de Barros e Paulo Pereira Miguel

O resultado decepcionante do produto interno bruto (PIB) do segundotrimestre plantou a semente da dúvida a respeito das condições decrescimento da economia brasileira, mesmo sob condições aparentementefavoráveis. Não apenas o Brasil está muito atrás dos outros países"emergentes", mas estamos passando a vergonha de crescer menos que aEuropa e o Japão. Os mais otimistas - e certamente o governo, a portasfechadas - estão tentando achar explicações para tão fraco desempenho.Afinal, estão dadas muitas das condições consideradas necessárias paraum crescimento maior e mais consistente que o dos últimos anos. Sãoelas, entre outras: um forte ajuste das contas externas, a queda dorisco País, a convergência da inflação para as metas, alguma redução nataxa de juros real - embora ainda alta sob qualquer critério - e amanutenção de um superávit primário suficiente para estabilizar arelação dívida/PIB. Há ainda uma combinação de estímulos conjunturaisimportantes, que em outras situações seria suficiente para retirar aeconomia da letargia: o crescimento mundial acima de 4% ao ano e aacelerada expansão do crédito e dos gastos públicos.

Poisbem, mesmo com todos estes fatores, num alinhamento astral incomum, oPaís cresceu apenas 1,7% nos últimos quatro trimestres. Não apenas ocrescimento é baixo, mas sua composição é ruim, baseada em consumo eaumento insustentável de gastos públicos. Os investimentos apenaspatinam, há anos abaixo de 20% do PIB, nível insuficiente para ocrescimento sustentado. E, para piorar, mais recentemente o setorexterno deixou de jogar a favor e já contribui negativamente para ocrescimento, tendo retirado quase um ponto porcentual do PIB noprimeiro semestre deste ano, com riscos de prejudicar ainda mais daquipara a frente.

Por que o Brasil não cresce? O ponto de partidada explicação é a simples constatação de que o País não investe osuficiente. Há problemas sérios tanto na política macroeconômica quantonos mal compreendidos "fatores microeconômicos".

No que serefere à questão macroeconômica, não há dúvida que a combinação atualdas políticas fiscal, monetária e cambial está errada e resulta embaixo crescimento. Os gastos públicos estão na raiz da questão: suacontínua expansão compromete a eficiência da economia, pois, financiadapor uma alta e crescente carga tributária, contribui para os jurosaltos e o câmbio valorizado. O resultado é a crescente asfixia doinvestimento privado. O único componente da demanda agregada que estáem expansão continuada é o consumo, público e privado. Todos os outrosestão sofrendo as conseqüências da tentativa do governo de criar ummoto-contínuo baseado em transferências públicas: juros e impostosaltos impedem o crescimento do investimento e a valorização cambialcompromete lentamente a contribuição das exportações líquidas. Oconsumo tem crescido 4% ao ano, mas o conjunto da economia pareceincapaz de crescer mais de 3% ao ano: o PIB está "vazando" cada vezmais para o exterior. Nem o PIB nem o emprego acompanham a expansão doconsumo, até porque os setores mais prejudicados pelo câmbio valorizadosão justamente os mais intensivos em mão-de-obra. Os dados do IBGEmostram que a produção nestes setores já está em queda. Isso não é umfator da natureza, mas resultado de escolhas equivocadas por parte dosresponsáveis pela política econômica. A redução da restrição externa daeconomia brasileira nos últimos anos dá algum fôlego a este modelo, masos custos já estão aparecendo de forma inequívoca.

A respeitodas questões microeconômicas, é evidente que o ambiente não éfavorável. Aí os fatores são muitos, desde os problemas históricos debaixa qualidade institucional, vergonhoso nível educacional e lentidãojurídica, mas também há o insuficiente comprometimento do governo comum ambiente saudável para o investimento. Basta ver o sucateamento dasagências regulatórias, a tolerância com a desordem no campo, averdadeira via-crúcis para aprovação de projetos nos órgãos de defesaambiental e os obstáculos ideológicos à inovação tecnológica. Nãoiremos muito longe com tamanha hostilidade ao que deveria ser objeto deestímulo. Há ainda questões difusas, mas igualmente importantes. Acarga tributária alta resultante da voracidade do Estado impõe, até porquestões de sobrevivência dos que pagam impostos, um crescenteemaranhado de regras, exceções, isenções, pacotes disto e daquilo. Aquilométrica legislação do PIS/Cofins é emblemática. Quanto custa tudoisso para as empresas? Quanto há de corrupção no sistema apenas porconta de regras conflitantes? Deve-se buscar não um alívio aqui eacolá, mas um corte linear de impostos, principalmente dos que têm ofaturamento como fato gerador. Isso só pode ser feito se houvercontrole dos gastos públicos e é para isso que se deveriam mobilizar asforças da sociedade.

Para encerrar, cabe um alerta. O resultadoda bonança externa foi uma notável melhora nas condições definanciamento externo da economia brasileira, mas não estão sendoconstruídas as condições para um futuro promissor. O mundo certamentevai desacelerar em 2007, principalmente os Estados Unidos. A China temgalgado novos níveis de sofisticação industrial e está competindo compaíses intermediários, como o Brasil, em todos os mercados. Em 2007,não tenhamos dúvidas, tudo o que os chineses não venderem aos EstadosUnidos será direcionado para mercados como o brasileiro. O vazamento dademanda interna para o exterior será então ainda maior.

José Roberto Mendonça de Barros, Luiz Carlos Mendonça de Barros e Paulo Pereira Miguel são economistas.


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Luta neste país é à bala

Segue reportagem publicada  hoje no O Estado de S. Paulo, p.10, por Fausto Macedo. Só quem é muito trouxa não acredita que o PT tem envolvimento neste assassinato e no de Celso Daniel.

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´Luta neste país é na bala´, diz viúva de Toninho do PT
Para ela, foi político o assassinato do prefeito, que completa 5 anos amanhã
INVESTIGAÇÃO
Fausto Macedo
Tantos foram os revezes sofridos nas repartições oficiais, no seu partido e até no gabinete do presidente Lula desde que Toninho do PT, seu marido, foi emboscado e fuzilado, que essa mulher está convencida de que no Brasil o crime organizado é vitorioso. 'Não existe democracia porque quem fere os interesses do crime organizado acaba eliminado sem defesa', diz Roseana Moraes Garcia, professora e psicanalista, viúva de Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT. 'A luta neste país não é democrática, é na bala.' Roseana organizou ato público marcado para amanhã, na Avenida Mackenzie, em Campinas, onde Toninho foi morto, pelos cinco anos do assassinato do companheiro, que era prefeito da cidade. A 10 de setembro de 2001, às 22h10, um Vectra se aproximou em alta velocidade do Palio de Toninho e pela janela alguém o baleou. Ele morreu ali mesmo, aos 49 anos. É um mistério sem fim para Roseana e os amigos da família.
Foram muitas cartas de Roseana a ministros, secretários de Estado, políticos e até a Lula.
Respostas, nenhuma. Desiludiu-se inclusive de quem esperava solidariedade. 'O Lula me recebeu, mas só depois de muita insistência e não fez nada. Cinco minutos de audiência. Levei a ele um abaixo-assinado com 53 mil nomes pedindo uma investigação decente. Lula disse que ia ajudar. Não ajudou.' 'Antonio foi vítima de um crime de encomenda', suspeita a mulher. Ele havia denunciado fraudes em licitações envolvendo Jacó Bittar, seu antecessor, que era do PT.

Maioria em Campinas vê motivação política
O cadáver de Toninho atormenta o PT, tanto quanto o de Celso Daniel - do mesmo partido -, prefeito de Santo André executado quatro meses depois.
Pesquisa na cidade apon
ta que 70% da população acredita que seu prefeito foi alvo de trama política. 'Foi encomenda', diz Roseana. 'Se eu tinha alguma dúvida, hoje não tenho mais. Políticos que não têm preço, como ele, terminam assim.' Roseana lembra que Toninho tomou 'medidas drásticas' logo que assumiu, que teriam batido de frente em interesses escusos de corporações e de políticos. Havia rompido com o antecessor (Jacó Bittar), sobre cuja gestão recaíam suspeitas de desvios, impôs rigores na delimitação de áreas de proteção ambiental, o que desagradou a grupos imobiliários, e reduziu em R$ 40 milhões o contrato do lixo e em R$ 15 milhões o da merenda escolar.
Roseana é filiada ao PT, mas diz que sua luta é suprapartidária. 'Ninguém se interessa pelo caso, nem o PT nem outro partido, nem o Ministério da Justiça.' Ela mudou-se para São Paulo. Um dia quer voltar a Campinas, não o faz agora porque tem medo. Aponta exceções no PT, gente que a acompanha nessa luta, como o deputado
estadual Renato Simões, o senador Eduardo Suplicy e o presidente do partido em Campinas, Gerardo Melo.
Não aceita a versão de que seu marido foi vítima de Andinho, o bandido condenado a mais de 100 anos de prisão por seqüestros e crimes de morte. 'Andinho já confessou muitos crimes, mas nega ter matado o Antonio.' Suas desconfianças crescem também porque a polícia matou três suspeitos, dois em suposto confronto em Caraguatatuba. Roseana pensa em anular o voto nas eleições. 'O Antonio foi morto porque estava atrapalhando o trânsito de quadrilhas formadas no poder. Sou uma mulher sozinha gritando.' Na quarta-feira, Lula falou sobre o caso. 'A Polícia Federal foi, sim, colocada à disposição da Justiça nesse caso. Ocorre que, quando assumi a Presidência, o Ministério Público havia apresentado denúncia e, portanto, já existia ação penal. Quando uma ação penal está em curso a polícia só pode realizar diligências a pedido da Justiça, o que não ocorreu.' O promotor de Justiça Fernando Vianna diz que 'não há nada' que indique motivação política ou premeditação. O Ministério Público denunciou formalmente o seqüestrador Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, como autor do crime.
A polícia sustenta que Andinho e seu grupo atiraram porque Toninho estaria fechando involuntariamente a passagem do carro dos bandidos. 'Nunca descartamos que esta (
queima de arquivo) poderia ter sido a motivação.
Mas não há nenhuma prova', diz Vianna.
F.M.


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Carta aberta aos eleitores do PSDB

Segue carta escrita pelo presidente Fernando Henrique Cardoso nesta semana.

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CARTA AOS ELEITORES DO PSDB

Brasília (7 de setembro) - Atravessamos um momento paradoxal: de aparente desconexão entre o que é o sentimento da opinião pública e o discurso eleitoral rotineiro; de tanta desfaçatez dos que ocupam o poder e de tanta informação sobre a corrupção e os desmandos de quem deveria dar as pautas de comportamento pensando mais na Nação que em seus umbigos e nada mais faz do que se jactar de grandezas inexistentes. Diante disso, resolvi me dirigir aos militantes, simpatizantes e eleitores do meu partido, e mesmo às pessoas de boa fé que olham a política com atenção, embora sem se envolver na vida partidária, para expor com franqueza algumas questões que me parecem essenciais para que o PSDB possa continuar a contribuir para uma mudança de mentalidades e de práticas no Brasil.

Para que não pairem dúvidas: é do Presidente e de seu partido (ou deveria dizer ex-partido?) que falo acima, pois são eles, inquestionavelmente, os responsáveis por deixar que os piores setores da política ocupem a cena principal, expondo o país às misérias a que todos assistimos indignados. E mais indignados ficamos quando vemos o Presidente e seus arautos passarem a mão na cabeça dos que "erraram" (como se eles próprios não fossem os culpados) com a desculpa de que "todos são iguais" ou, então, em versão mais sofisticada da mesma falta de vergonha, dizerem que "a culpa é do sistema".

Comecemos por aí. Há muita confusão no ar no trato das questões morais. Moral se refere a condutas individuais. Uma coisa é a discussão filosófica sobre a ética, os fins últimos ou o que seja. Outra é a responsabilidade moral: quem transgride as leis, os costumes, as práticas aceitas em uma comunidade, pode fazê-lo em nome do que seja, de um partido, um ideal, uma paixão. Responderá pela transgressão perante a comunidade e estará sujeito às penalidades do caso.

Pagar mensalão é crime e como crime deve ser tratado. Pagar mensalão para deputados, comprar seus votos, não é igual sequer a outra transgressão, a de não declarar dinheiro obtido para a campanha eleitoral, o "caixa dois". A razão é simples: no caso do caixa dois, a fonte do dinheiro usado geralmente é privada, embora nem sempre o seja, e o objetivo é ajudar algum candidato individual em sua eleição. O candidato e seus financiadores devem responder por essa ilicitude eleitoral. No caso do mensalão a fonte foi pública; é roubo do dinheiro do povo, ainda que empréstimos fictícios de bancos privados tenham sido usados para encobrir esse fato. Os arrecadadores obedeciam a diretrizes de um partido, com a cumplicidade de partes da administração. A prática deu-se sob o olhar benevolente de ministros e mesmo com a cumplicidade de alguns deles (refiro-me à acusação do Procurador Geral da República). O próprio Presidente, que é responsável pelos ministros, não tendo atuado para demiti-los nem depois do fato sabido, é passível de crime de responsabilidade. E, mais do que simplesmente corromper pessoas, corrompeu-se uma instituição, o Congresso Nacional.

Isso não quer dizer que o sistema eleitoral vigente seja bom ou que não precise ser mudado. Entretanto, apenas culpar "o sistema" e escapar da responsabilidade pessoal é um sofisma que nada tem a ver com comportamento moral. São as pessoas, cada uma de acordo com sua participação no delito e de acordo com a gravidade de sua atuação individual, que devem responder pelas transgressões, e não qualquer idéia abstrata de "sistema". Este pode e deve ser mudado. Mas as pessoas que cometeram crimes precisam ser punidas. A impunidade, a postergação de decisões da Justiça sobre os presumivelmente culpados (vide o caso que deu origem a presente série de escândalos, o de Valdomiro Diniz) desmoraliza tudo, desanima a população e dá a impressão de que o povo é indiferente à corrupção. Não é indiferença, é descrença na punição.

Pois bem, nós do PSDB não fomos suficientemente firmes na denúncia política de todo esse descalabro no momento adequado. Não será agora, durante a campanha eleitoral, que conseguiremos despertar a população. Mas, para nos diferenciarmos da podridão reinante, temos a obrigação moral de não calar.

É verdade que também somos responsáveis pelo que hoje se vê: a cada dia mais corrupção; a cada dia, menor reação. Erramos no início, quando quisemos tapar o sol com a peneira no caso do senador Azeredo. Compreendo as razões: ele é pessoalmente decente; tudo se passou durante a campanha para sua reeleição como governador, que afinal ele perdeu. Mesmo assim, calamos muito tempo e sequer dissemos o que sabemos: entre os responsáveis pelas finanças de campanha do então governador estava seu vice, hoje ministro do Presidente Lula. Nem isso dissemos com força! Mas não por isso podemos calar diante do descalabro. Ainda que o eleitorado não nos acompanhe neste momento, deixaremos as marcas de nosso estilo, de nossas atitudes, para calçar um futuro melhor para o país.

Para que o PSDB se justifique perante o eleitorado como uma força renovadora ele tem que se distinguir. A podridão que encobre "a política" está nos transformando em vultos. Precisamos reganhar nossa cara.

Nosso candidato à Presidência tem as mãos limpas. Tem história de seriedade. Por que não bradar isso com força? Por que não fazer o contraponto com o outro lado. Nada a temer nem a esconder. Geraldo Alckmin pode dizer o que Lula não pode porque sua história não passa por acusações de suborno a prefeituras. Ele não tem que explicar, como Lula, por que tendo tanto dinheiro vivo (e quanto!), não paga dívidas. Por que ora diz nunca ter ouvido falar de sua dívida no partido, ora que a discutiu, mas não a reconhece. Enfim: faltam condições morais a um e sobram a outro. Essa é a diferença. E este é o ponto de partida para recuperar o reconhecimento público do valor da política. Sem que haja uma diferença entre bons e maus, a geléia geral predomina e elegeremos de cambulhada um Congresso no qual os sanguessugas e mensaleiros derrotados serão substituídos por outros prestes a reviver a mesma história.

O não à corrupção, não nos iludamos, é a condição para o futuro, tanto do país como nosso. Mas não basta a diferenciação moral. Há problemas urgentes que afligem o povo e sobre os quais não podemos calar. O mais angustiante é o medo: medo do crime, da violência. Também neste caso o PSDB tem responsabilidades e tem o que dizer. Em São Paulo, para cingir-me ao estado que foi governado por Alckmin, as taxas de homicídio e latrocínio caíram fortemente graças à ação da polícia. Nunca se prendeu tanto, a um ponto tal que a cada mês há mais 800 presos, descontando-se os que são liberados. Para atendê-los seria preciso construir uma penitenciária por mês! Resultado: o sistema prisional está abarrotado e, há que reconhecer, não foi capaz de dar tratamento adequado à massa de presos, criando um caldo de cultura para a criminalidade e deixando ao PCC espaço para demagogia em nome da melhoria de condições de vida dos prisioneiros. Sem falar no uso continuado de celulares, da cumplicidade entre criminosos e advogados, às vistas cúmplices, algumas vezes, das autoridades carcerárias. Reconhecer isso não é desmedro. O governo federal, à parte a demagogia recente de oferecer o que não tem (a Força Pública Federal) ou o uso instrumental das Forças Armadas para tarefa que não lhes compete, não transferiu no momento oportuno os recursos do Fundo de Segurança Pública, criado no governo anterior, nem se empenhou pela aprovação pelo Congresso das mudanças necessárias nos codigos de Processo Penal e de Execuções Penais.

Diante desse descalabro, o PSDB e seus candidatos têm discurso: assim como se mostraram capazes de prender, saberão, no governo federal e nos estados, criar melhores condições no sistema prisional, sem deixar de serem duros no combate ao crime organizado e a todas as formas de delito. Empenhar-se-ão para que haja maior diferenciação nas penas, utilizarão, com apoio da Justiça, as penas alternativas, endurecerão, como o governo de São Paulo já fez, o tratamento dos criminosos de alta periculosidade, aplicando-lhes tratamento diferenciado, causa aliás do horror que o PCC tem ao PSDB. E sobretudo, batalharão pela aprovação das medidas que estão no Congresso e que permitem a ação unificada das polícias civis e militares e a intensificação do uso dos serviços de inteligência, incluindo os das Forças Armadas. Nada disso, entretanto, tornará o PSDB indulgente com quem pensa que polícia está ai para baixar o porrete e matar, nem com a confusão inaceitável entre pobreza e crime, periferia e PCC . Sem esquecer que se os governos do PSDB tiveram êxitos em baixar as taxas de homicídios e latrocínio - crimes da alçada estadual - o mesmo não se poderá dizer do governo Lula sobre os crimes de alçada federal: o contrabando de armas e de drogas.

Há, portanto, razões de sobra para não temer a discussão do crime, das drogas e da violência, temas que tanto preocupam o povo. E há como nos diferenciarmos das forças governistas no debate. Esta diferenciação é essencial. Se não, por que votar em nós? Essa diferenciação começa no aspecto moral mas avança em tudo mais. Não quero cansá-los, mas é descabido aceitar que a política econômica atual seja a continuidade da nossa. Sim e não. Mantiveram o que era óbvio (metas de inflação, câmbio flutuante e superávits primários), pois do contrário já estaríamos a ver os protestos das donas de casa contra a inflação e a carestia. Mas, sem avanços nas reformas e sem ousadia diante de um panorama favorável na economia mundial, o custo da aplicação dessas medidas será grande. Sem reforma da Previdência (o que foi aprovado não teve seqüência nas leis complementares e portanto nada mudou de fato), tornou-se impossível baixar os juros há mais tempo. Assim, para manter a boa apreciação dos credores internos e externos, o superávit primário teve que se manter nas alturas, sufocando os recursos para a construção de estradas e da infra-estrutura em geral. Quem pagou o preço? O povo, através dos impostos.

Agora, diante da conjuntura eleitoral e para compensar os anos de carência, veio a bonança às custas do futuro: aumentos de salário, expansão das bolsas, expansão do crédito, antecipação do décimo terceiro salário dos funcionários etc. Não havendo um incremento significativo dos investimentos (a taxa, em moeda corrente, anda abaixo de 20% do PIB há vários anos) e havendo a ampliação do gasto público, é só a conjuntura internacional mudar e pagaremos o custo da crise fiscal, das ineficiências acumuladas, da falta das reformas, tudo sempre revestido da maior empáfia dos que pensam que "nunca neste país, se fez mais e melhor do que neste governo". A verdade é que há uma gastança irresponsável e um novo inchaço do governo, sem nenhuma preocupação com a qualidade dos gastos.

Isso sem esquecer do "aparelhamento" do estado, com as sucessivas nomeações de "companheiros" e aliados, sem a devida qualificação técnica. Processo que alcança grau máximo de irresponsabilidade quando são nomeados políticos derrotados ou apaniguados para ocuparem posições nas agências reguladoras, causando temor nos investidores dada a politização de uma área do governo cuja respeitabilidade e independência técnica é essencial para atrair investimentos. Que ninguém se iluda: o PSDB não se fia no mercado como o promotor do bem estar social. Nós sabemos que a ação do Estado é essencial. Mas de um Estado verdadeiramente democrático e republicano, que não se deixa usar pelos interesses privados, de partidos, pessoas ou empresas e que não se encastela em uma burocracia arrogante e pouco competente que , no final das contas, acaba por servir apenas ao capital, repudiando-o onde ele é necessário (nos investimentos) mas cedendo ao que seus piores segmentos desejam concedendo privilégios ao alvedrio do poder.

Na linha de assumir posições claras e firmes, o PSDB deve aproveitar as pressões mais do que justificadas por uma reforma eleitoral para iniciar a pregação, desde já durante a campanha eleitoral, das vantagens do voto distrital. A principal delas é que o voto distrital quebra a espinha do atual sistema que induz à corrupção e à desunião partidária. Hoje o candidato compete fortemente com seus companheiros de partido, pois sua eleição depende do número de votos que tiver, em contraposição ao número obtido por outros candidatos do mesmo partido. Além disso, cada candidato "pesca" votos no âmbito de todo o estado. Como a lei eleitoral permite que cada partido lance candidatos correspondentes ao dobro do número de cadeiras que cada estado tem no Congresso, em um estado como São Paulo serão 140 candidatos por partido. Supondo que depois da lei de barreira sobrem sete partidos, poderão estar competindo 980 candidatos pelo voto dos 25 milhões de eleitores paulistas. Isso obriga o candidato a esparramar sua campanha por todo o estado (o que custa caro) e leva à dispersão de responsabilidades: o eleitor se esquece em quem votou, no emaranhado de candidatos, e o candidato, uma vez eleito, não sabe, de fato quem são seus eleitores.

Na insegurança, e pensando na reeleição futura, o deputado (como já teria feito o candidato) vai estabelecer uma rede de segurança apoiando-se em prefeitos e eventualmente em alguma empresa, aos quais busca prestar favores, numa versão atualizado do velho clientelismo (que subsiste nas zonas mais pobres do país) que intercambiava votos por favores prestados diretamente ao eleitor. Essa é a sementeira da corrupção: uma emenda no orçamento ajuda o prefeito, ajuda a empresa amiga. Para realizá-la o deputado exerce a função de despachante de luxo: negocia com pessoas da administração federal tanto a área de aceitação da emenda como, mais tarde, aprovado o orçamento, a respectiva liberação das verbas: está fechado o circuito das sanguessugas, sendo que o das ambulâncias, provavelmente, foi apenas um dos muitos circuitos existentes. No meio do caminho, as propinas e vantagens.

O voto distrital acaba com isso ou pelo menos dificulta muito. Por que? Porque em cada distrito cada partido lança apenas um candidato (não há mais a concorrência destrutiva da coesão partidária), o eleitor sabe mais facilmente em quem votou e pode acompanhar o desempenho do eleito em função dos interesses do distrito. Mesmo no caso de São Paulo, onde forçosamente os distritos serão compostos por cerca de 350.000 eleitores (25 milhões divididos por setenta cadeiras) torna-se muito maior a proximidade entre eleitor e eleito e, portanto, se torna mais fácil cobrar do candidato e obrigá-lo a prestar contas: na próxima eleição serão os mesmos 350.000 eleitores que escolherão entre sete pessoas, uma delas já no cargo e as outras seis denunciando irregularidades, se as houver, praticada pelo deputado que busca a reeleição. E torna menores os custos das eleições.

Pode haver uma discussão sobre a substituição do sistema atual de voto proporcional e uninominal pelo de "listas fechadas" dos partido, sistema no qual o eleitor vota na legenda e não em pessoas e os candidatos ocupam as vagas ganhas pelo partido na ordem definida pela direção partidária. O inconveniente deste sistema é que as oligarquias partidárias terão mais força para ordenar a lista e, como entre nós o voto é muito personalizado, o eleitor se distanciará ainda mais do candidato. Também é possível adotar um sistema de voto distrital misto. Este tem a vantagem de assegurar mais claramente as opiniões minoritárias e a votação em candidatos cuja base é dispersa, dado que seu apoio vem da opinião de eleitores distribuídos pelo espaço estadual. O maior inconveniente é a dificuldade de compreensão do sistema pelo eleitor e sua aplicação na prática. Entretanto, se esta for a solução para uma convergência política, não vejo porque o PSDB iria se opor. A defesa do voto distrital puro está baseada em que a lei de barreira já restringirá, de qualquer modo, a chance dos mini-partidos e o voto de opinião será mais facilmente acolhido nos distritos metropolitanos, o que levará os partidos a apresentarem candidatos com estas características para vencer as eleições distritais.

Há outros temas nos quais o PSDB pode e deve marcar sua identidade. Temas que afligem os brasileiros e para os quais há soluções. Mencionei apenas os politicamente mais candentes, embora nem sempre se refiram às questões estruturais. Entre estes a educação prima. O PSDB tem a responsabilidade de lutar por seu legado. O que fizemos no governo federal e em alguns governos estaduais em matéria educacional é muito valioso. Não se trata apenas do aumento da matrícula em todos os níveis do ensino, mas de uma mudança de mentalidade: a preocupação com avaliar e a introdução de novas técnicas de avaliação de resultados, a diferenciação de salários de acordo com o desempenho dos professores, a formação de fundos de pesquisa (infelizmente contingenciados), e assim por diante. Cabe-nos agora inovar mais. O grande desafio será o da extensão do tempo de permanência das crianças nas salas de aula, o aumento do salário dos professores, sua melhor qualificação, e a generalização do uso dos computadores. Tudo isso é factível e nós sabemos como fazê-lo, sem misturar educação com propaganda nem transformar cada programa em nova trincheira partidária, com a nomeação de apaniguados e militantes .

O mesmo se diga sobre saúde, reforma agrária (é clamoroso o que o governo atual faz de errado e lento nesta área, pela qual fomos tão criticados e na qual tanto fizemos). E não devemos temer a Bolsa-família. Ela não apenas resultou de programas que nós criamos (inclusive a preparação técnica para a unificação dos programas) como vem sendo desvirtuada pela velocidade eleitoreira com que cresce e pelo descuido na verificação da satisfação de requisitos para sua obtenção. E sobretudo porque tem sido feita no embalo da pura propaganda eleitoral, tornando um propósito saudável, pois inauguramos estes programas como um "direito do cidadão", numa benesse do papai-Presidente. Na verdade por este caminho formar-se-á uma nova clientela do governo. Se a ela somarmos a clientela dos assentados pela reforma agrária que não são emancipados, quer dizer, que não produzem para pagar seus compromissos e dependem a cada ano de novas transferências de verbas orçamentárias, estaremos criando o maior exército de reserva eleitoral da história. Aí sim caberá o "nunca se viu neste país..."!

Para gerar empregos e transformar os programas assistencialistas, embora importantes, em pontes para o verdadeiro bem estar (que depende dos programas universalistas na saúde, na educação e, sobretudo na geração de empregos de melhor qualidade) não cabe dúvidas de que o PSDB, sem se atemorizar com slogans do tipo "governo neoliberal" (mesmo porque, se for para adjetivar, a nenhum governo caberia melhor o epíteto do que ao do PT), deve pregar e praticar uma revolução capitalista, ou, nas palavras usadas há tanto tempo no discurso de Mário Covas, um "choque de capitalismo". Não podemos continuar meio envergonhados cada vez que o PT e seus aliados falam de "privataria". Privatizamos sim, e nada temos a esconder no processo de privatização: tudo foi feito em leilões públicos, com preços que quando foram estimulados pelo governo foi para sem maiores e se maiores não foram em certos casos (por exemplo, na Light do Rio de Janeiro, ou na Vale do Rio Doce) foi porque o "mercado" avaliou que, nas condições da época, mais não valiam, quer dizer: não havia empresas dispostas a comprar pelo preço estipulado porque o consideravam alto. O empenho do governo foi para que houvesse mais lances, tal era o temor do capital privado (sobretudo o nacional) que considerava elevados os valores mínimos dos leilões. Algumas dessas empresas tiveram um sucesso estrondoso graças ao trabalho que desenvolveram, caso da Vale, hoje controlada basicamente pela Previ e pelo Bradesco. Outras tiveram menos sorte: os capitais franceses investidos na Light, aliás estatais, certamente não se recuperaram na recente venda da empresa à Cemig e à Telemar.

É preciso dizer com todas as letras e toda a força que a privatização da Telebrás foi um sucesso absoluto, que o preço pago pelo que o Estado possuía dela (20% do capital total, embora de controle) talvez não corresponda hoje ao valor total das empresas de telecomunicações e que o povo se beneficiou enormemente, dispondo o país de um moderno sistema de comunicações, sem o qual não haveria internet nem modernização produtiva. E dizer também que no setor elétrico houve fracasso: privatizamos apenas a distribuição de energia e a Eletrosul, permanecendo nas mãos do governo Furnas, Chesf, Eletronorte e, naturalmente, Itaipu, que por seu caráter especial não deve mesmo ser privatizada. Resultado: é só ver as estatísticas sobre investimentos no setor (que não dispõe de um modelo claro e competente, indutor de parcerias com o setor privado) para entender porque vira-e-mexe fala-se de apagão. Não o de 2001, conseqüência da má gerência e da falta das águas, mas da falta de investimentos para geração nova de energia. E a privatização da Rede Ferroviária Nacional, acaso não foi um êxito?

Sendo assim, o PSDB não deve alimentar dúvidas metafísicas sobre se teria sido certo ou errado privatizar. Não que tudo deva ser privatizado: jamais aceitamos a privatização do Banco do Brasil, da Caixa Econômica e da Petrobrás, por exemplo. Mas no governo do PSDB essas organizações não serviam de instrumento de politicalha, como agora no caso da quebra de sigilo na Caixa ou do valerioduto no BB, sem falar das compras de navio pela Petrobrás em estaleiros inexistentes, ou na diminuição do ritmo da exploração do petróleo. É preciso devolver a estas grandes organizações seu caráter de "corporações públicas" que atuam no mercado e não estão sujeitas à ingerência de políticos, obedecendo apenas às políticas de estado.

 Se não devemos fazer da privatização objetivo único e nem mesmo central do governo, tampouco podemos desprezar a colaboração do capital privado nacional e estrangeiro com o governo, sobretudo nas obras de infra-estrutura e no terreno em que temos melhores promessas de futuro, o das energias renováveis. Onde estão as PPP? Nenhuma saiu do papel, sem esquecer que quando privatizávamos, o Tesouro recebia recursos dos particulares enquanto que agora, com a filosofia lulista das PPP, dá-se o contrário: é o Tesouro quem dá dinheiro aos particulares para que eles invistam... Mas não são benesses o que o capital privado sério mais deseja, são outras coisas: regras firmes e transparentes. Ou voltamos a dispor de agências regulatórias com o espírito com o qual as criamos, de independência para garantir ao mesmo tempo o interesse do consumidor, o dos investidores e o nacional, ou veremos a politiquice prevalecer sobre tudo o mais, como já ocorre hoje de forma incipiente na ANATEL na ANP.

Digamos claramente também que o PSDB sabe que para retomar o crescimento com consistência, além das reformas, será necessário aumentar o investimento público em infra-estrutura e cortar impostos, simultaneamente. Esta "mágica" só se faz quando o governo está decidido a melhorar a qualidade do gasto, cortando programas desnecessários, sendo comedido na concessão de benesses e, garantidos os eventuais direitos, enxugando a máquina pública. Ou seja: fazendo o contrário do que faz o atual governo.

Por fim, para não me alongar mais, chega de dizer bobagens sobre a globalização, como se fosse culpada de nossa própria incapacidade. Chega de agir na prática como se acordos comerciais, tipo ALCA, fossem projetos imperialistas de anexação de território. São sim projetos de grupos de poder e interesse, diante dos quais temos de prezar e defender os nossos, e não enfiar a cabeça na areia e imaginar que na escuridão há "uma outra política", na verdade de um antiquado "terceiro-mundismo". O PSDB precisa assumir sua contemporaneidade. Queremos sim integrar-nos ao mercado internacional, o que não quer dizer submetermo-nos aos caprichos das potências dominantes, sejam os EEUU, a China, ou quem for. Nem quer dizer, por outro lado, que nos de-solidarizaremos dos países mais pobres ou que o mercado destes bem como o dos países de economia emergente não nos interessa. Esta postura claramente integradora na economia mundial obriga-nos simultaneamente a ter posições ainda mais firmes de repulsa às doutrinas da "guerra preventiva", estas sim imperialistas no campo político e ideológico. Da mesma maneira repudiamos a crença no destino manifesto das grandes potências para estabelecer à força a forma de democracia que lhes parece a mais adequada.

Enquanto hesitamos na política externa, dando margem à difusão de que acreditamos que para combater o hegemonismo político-ideológico é preciso seguir a tradição populista latino-americana, nada fazemos para garantir acordos comercias que nos interessam, isolando-nos cada vez mais em um Mercosul enfraquecido por nossa falta de liderança. Resultado: nem ALCA, nem acordo com a União Européia, nem qualquer outro acordo bi-lateral. O PSDB precisa ter uma posição mais clara sobre tudo isto.

Em suma, se quisermos exercer uma liderança renovadora precisamos manter os antigos compromissos democráticos, radicalizando-os, através da reforma política com a introdução do voto distrital e da fidelidade partidária; precisamos reatar os fios entre o partido e a sociedade, buscar o diálogo com os sindicatos e movimentos populares (agora mais fácil pela quebra do hegemonismo petista). A visão moderna de democracia impõe a participação ampliada da cidadania no processo deliberativo, inclusive senão que principalmente, na rotina partidária, revigorando, as prévias para a seleção dos candidatos. Precisamos romper os vínculos ideológicos que ainda nos prendem à visão estatista-desenvolvimentista e rechaçar todas as formas de populismo, substituindo-as por práticas genuinamente populares com a presença mais ativa dos cidadãos e militantes na formatação das políticas do partido e na implementação dessas nos estados em que governamos. Precisamos assumir que, no contexto atual, ser progressista é lutar para democratizar a sociedade, sustentar políticas que reduzam a pobreza até sua eliminação, gerando empregos sem contentar-nos com o necessário assistencialismo e sem ficarmos embaraçados com a forma capitalista do crescimento da economia, à espera do novo Godot, a "revolução salvadora". Esta não está em nosso horizonte histórico, embora o ideal da Justiça possa e deva continuar a motivar nossos corações a lutar cada vez mais pela redução das desigualdades sociais.

Fernando Henrique Cardoso
 
     
 
 
     
  Fonte: Agência Tucana

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Estou em campanha

Estou em campanha. Sou tudo o que o Lula abomina. Eu sou o anti-Lula. Sou um incômodo, para ele e seus simpatizantes. Tudo o que quero é vê-lo apeado da cadeira presidencial. Se eu tivesse poder para isso, já o teria feito.

O Lula é tudo o que atrasa esse país. Ele e seus simpatizantes, que acham graça nas esmolas que ele dá, ao invés de cobrarem dele as mudanças que o País precisa. Estaremos no caos daqui a dois anos.

O Lula é a minha obsessão. O papai-presidente é o que há de pior na política nacional. Pior que o PP. Que o PL. Pior que tudo. Ele é o pai da gangue. O anti-democrata. O "pai dos pobres" que não ensina o filho a pescar.

Estou em plena campanha. Sou o anti-lula.

Thursday, August 31, 2006

A filosofia das mãos sujas

Abaixo, editorial do jornal O Estado de S. Paulo do dia 30 de Agosto de 2006. Leiam e, na hora do voto, pensem não em vocês, mas no Brasil.

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A filosofia das mãos sujas

Perto da aula magna de ética na política que o presidente Lulaministrou segunda-feira em São Paulo a uma classe de dóceisintelectuais selecionados a dedo, as manifestações dos artistas PauloBetti, Wagner Tiso e do produtor de cinema Luiz Carlos Barreto, nasemana passada, apoiando a corrupção no governo do PT porque os finsjustificam os meios, parecem balbucios de crianças puras numa escolamaternal. Nunca antes se viu um presidente brasileiro - e nunca antesesse bordão de Lula há de ter sido tão apropriado - ir tão longe emdefesa das mãos sujas na vida pública, embora as suas palavras, tomadaspelo valor de face, fossem de resignação diante do que seria umarealidade amarga, porém imutável.

Elepode não ter se dado conta disso, muito menos desejado, mas sem sombrade dúvida entrou para a história do Brasil como o chefe de Estado quedisse para quem quisesse ouvir: “Política a gente faz com o que a gentetem, e não com o que a gente quer. Esse é o jogo real da política queprecisou ser feito em quatro anos para que chegássemos a uma situaçãoaltamente confortável.” A primeira sentença é uma meia verdade. Faz-sepolítica, de fato, com o que se tem. Nem por isso se precisanecessariamente fazer política cultivando o que há de pior no que setem. Mas foi esse, e nenhum outro, o ponto de partida do sistemapetista de poder para dar a Lula, por meios espúrios, maioria naCâmara.

Os políticos venais - “o que se tem” - não fizeramfila na rampa do Planalto pedindo mesada para votar com o governo. Foio partido do presidente que os procurou, diretamente ou por interpostoscúmplices, para mudarem de sigla ou, ficando onde estivessem, apoiassemas suas propostas. O suborno sistemático de deputados - chame-semensalão, valerioduto, uso de recursos não contabilizados, o que sequeira - foi a indelével e, pela amplitude e freqüência, inédita marcade Caim do “jogo real da política” jogado na era Lula. Em benefíciodele e do seu partido, por iniciativa de sua gente, pouco importando, aesta altura, se com ou sem o conhecimento do chefe, ou, por que não?,com ou sem o seu incentivo.

Já a segunda sentença, em que elefala da situação a que se chegou, é uma trapaça. À primeira vista, osujeito oculto da frase é o Brasil: fez-se o que “precisou ser feito”para o País desfrutar de um alto grau de conforto. Na realidade, fez-seo que se escolheu fazer para que ele, ao fim e ao cabo, pudesse chegarà antevéspera da sucessão numa situação altamente confortável. A metaúltima do mensalão, como de tudo mais que o presidente e seuscompanheiros fizeram, era a reeleição. Mas a lição enganosa nãoterminou aí. O professor deixou claro que os puros - ou os menosimpuros, como o PT, criado, segundo ele, “para errar (grifo nosso)menos do que os outros partidos” - não tinham saída, sendo o que é oque se tem.

Ora, seja lá para o que se criou o PT, é fatodocumentado que a sua conduta, tão logo começou a conquistar municípiosimportantes, se tornou cópia fiel, ou aperfeiçoada, daquilo queatribuía aos adversários muito antes de abraçá-los como aliados. Aética administrativa da atual deputada Angela Guadagnin - a IsadoraDuncan do mensalão - na prefeitura de São José dos Campos, em meadosdos anos 1990, não foi o avesso, por exemplo, da que os petistasexecravam no atual neolulista “Newtão” Cardoso, quando prefeito deContagem, mais ou menos na mesma época. E a indesmentível extorsãoinstitucionalizada em Santo André, na gestão Celso Daniel, morto ao quetudo indica por se opôr ao desvio do butim destinado ao PT.

Em2002, era o partido fazendo mais do mesmo - dessa vez para enfim elegerLula - quando o seu presidente José Dirceu pagou R$ 10 milhões ao entãohomólogo do PL, Waldemar Costa Neto, segundo ele próprio viria arevelar, pelo apoio da sigla que entrou com o candidato a vice, JoséAlencar. E quando pagou o marqueteiro Duda Mendonça no exterior, comdinheiro ilegal.

O “conforto” moral que Lula sente, ele quer quetodos os companheiros sintam. Para isso sugere que “o PT vai ter queresponder por seus erros (grifo nosso) e as pessoas que erraram - ouseja, os membros da ‘sofisticada organização criminosa’ denunciada peloprocurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza - precisampedir desculpas ao povo brasileiro”. E pronto!

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Pensamentos aleatórios II

O atual presidente disse hoje em entrevista no Sul do País, justificando o ralo, superficial, vago,  incoerente programa de governo para uma eventual reeleição, que "quem está no governo diz o que faz, não fica inventando coisas".

Quer dizer que o programa que ele apresentou ao País em 2002, quando ainda não era do governo e que prometia o "espetáculo do crescimento" e os 10 milhões de empregos era invenção?????!!!!!??????


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Crescimento entrondoso...

Cresecemos nos últimos 12 meses à ESTRONDOSA taxa de 1,2% a.a.

Isso é uma vergonha.

Usando a expressão que mais apetece ao atual presidente do Brasil, "nunca antes na história desse país" se viu tanta disparidade entre o discurso e a realidade.

O atual presidente é incompetente. IN-COM-PE-TEN-TE. Não sabe nem administrar a cabeça dele, quanto mais um país.

E não coloco a culpa nos juros. Coloco a culpa nas reformas que deveriam ser feitas e não foram, responsabilidade da interação entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Onde estava o presidente para negociar as reformas pessoalmente? Provavelmente viajando para o Congo ou outro país desse tipo, que é pra onde ele mais gosta de ir (e deveria ficar).


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Thursday, August 10, 2006

Brasil: futuro sombrio?

Um estudo publicado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), segundo livro de uma série denominada "Brasil, o Estado de uma Nação", avalia, entre outras coisas, que a proporção de aposentados com menos de 60 anos na ala masculina brasileira aumentou de 45% em 1980 para 56% em 2000. Além disso, prevê que o ritmo de crescimento da população daqui a 25 anos será igual a zero, caso não haja aumento da taxa de fecundidade, hoje situada em 2,1 filhos/mulher e que em 2030 o crescimento populacional será de 0,5%, no ano em que o Brasil atingirá 225 milhões de habitantes.

Para mim, o cruzamento destes dados mostra um futuro catastrófico. Mais pessoas se aposentando mais cedo; a pirâmide demográfica indicando envelhecimento da população e atingimento do pico da população economicamente ativa (PEA); o nível educacional dos profissionais entrando no mercado de trabalho nos próximos 20 anos, pelo menos, ainda muito aquém do que é preciso, tudo isso junto me faz concluir que o Brasil pode estar presenciando hoje uma das suas últimas oportunidades de dar um salto qualita e quantitativo em seu desenvolvimento econômico aproveitando mão-de-obra em idade economicamente ativa.

Tudo indica que dentro de poucas décadas a população será mais velha e pouco educada. Essa combinação não é a ideal para um país que precisa gerar mais cientistas, pesquisadores etc., condição básica para que possamos inovar, criar/aperfeiçoar novas tecnologias e, dessa maneira, crescer.

E hoje, aqueles que ainda pretendem pesquisar eventualmente são descartados pelas Universidades...

Qual é o nosso futuro??

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Friday, July 28, 2006

Pensamentos aleatórios

Nas eleições de Outubro, quando o candidato governista criticar e culpar a gestão anterior "deste País" pela bilionésima vez, deveremos então entender que a crítica é para a sua própria gestão???

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"Nosso guia", ontem e hoje

O quadro abaixo foi publicado no O Estado de S. Paulo de 28 de Julho de 2006, p. A6, com base em artigo do jornalista Gabriel Manzano Filho. Divirtam-se.




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Agora eu entendi...

"Nosso guia", assim mesmo, entre aspas, como brilhantemente definiu Elio Gaspari nosso atual presidente da República, deu uma entrevista à rádio CBN ontem pela manhã. Respondeu a perguntas do âncora do programa, Heródoto Barbeiro.


Foto: Dida Sampaio/AE

Ao que parece, "nosso guia" não está elaborando o seu próprio programa de governo. Os seus partidos aliados estão.

Também disse que antes do governo dele, se os EUA espirrassem, nós pegávamos pneumonia. Agora, dizemos "saúde".

Diante de perguntas sérias, fugiu. Disse que o déficit da Previdência é problema da Tesouro Nacional e não se comprometeu com uma nova reforma.

Quanto à reforma tributária, parece que ela já foi feita, nós é que não sabíamos! E o que falta votar é um problema do Congresso e dos governadores que 'querem manter a guerra fiscal acesa neste País'.

Ah tá. Agora sim.


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Thursday, July 27, 2006

Microsoft vs. Apple

Vai ser muito difícil a Microsoft derrubar a Apple com seu iPod killer, o Zune. Isso porque a Apple é a líder no segmento e ocupa uma posição invejável: consegue bolar produtos inovadores numa velocidade incrível.

Mas a análise vai além. O Zune se compara ao rei do pedaço até em seu apelido: ele é o "matador do iPod". Quando um cliente for comprar o Zune, ele com certeza vai pensar: "isso aqui é melhor ou não do que o iPod?"

Which iPod are you?

Você acha que os executivos da Microsoft vão ficar felizes com isso? Afinal, é para os clientes pensarem no Zune como um equipamento legal ou em contraste com o iPod?

A Apple ainda tem outras vantagens sobre a empresa de Redmond:

  1. Design: o design é em última análise um ativo para a Apple, fonte de imensa vantagem competitiva. Ninguém faz melhor, ponto final;
  2. Nome de categoria: Gilette é sinônimo de lâmina de barbear. Bombril é a mesma coisa para escova de aço. iPod é sinônimo de tocador de música digital, o walkman do século XXI. Em termos de posicionamento de marca, a Apple já se estabeleceu. A Microsoft terá que criar awareness de seu produto;
  3. O modelo de negócios da Apple é o inverso do que as outras empresas fazem. Tome, por exemplo, a combinação impressora-toner. As empresas vendem impressoras com margens de lucro baixíssimas para ganhar dinheiro com os toners. A combinação iPod-iTunes Music Store é diferente! A Apple não vende iPods para vender músicas; é o contrário! A loja serve de "isca": quanto mais músicas são vendidas pela sua loja, maior é a probabilidade de que os clientes comprem mais iPods, pois caso o cliente queira abandonar o produto, terá que recomprar suas músicas em outra loja digital (as músicas da ITMS só funcionam no iPod). Como isso não é segredo e como as vendas da ITMS não param de aumentar, a única conclusão possível é que os clientes acreditam que os benefícios da loja online superam os custos de mudar de tocador de música. Isso faz com quem o mercado restante para os concorrentes do iPod diminua ainda mais a cada compra de música feita na loja da Apple!
Mas como em qualquer segmento, a concorrência é saudável. Resta agora saber qual o tamanho da fatia do bolo que a Microsoft conseguirá para si no mercado digital.

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Saturday, July 22, 2006

Confirmado o tal do "iPod Killer"

E não gostei. Visualmente falando, é claro. Ontem, a Microsoft anunciou que o novo player, provavelmente chamado 'Zune', é uma "família de produtos em hardware e software" que "agregará tecnologia e comunidade para permitir que clientes explorem e descubram músicas juntos". O produto estará à venda antes do Natal. Vejam a foto:

Reprodução
Mp3 player deve ser lançado neste ano; Zune será concorrente direto do iPod, da Apple


Vamos por partes.

Se se trata de família de produtos, esperemos a mãe e os filhinhos. É quase certeza de que Bill lançará diversas linhas do mesmo produto, nos moldes do iPod de 60GB, do Nano, do iPod U2 etc.

Mas é uma família de hardware E software. Então, vai ter loja de música.

E agregará tecnologia e comunidade para permitir que clientes explorem e descubram músicas juntos. Hmmmm...vejo aqui uma funcionalidade que permita troca de músicas entre usuários, possivelmente download de .mp3 pelo próprio aparelhinho, sem necessidade de entrarmos na loja virtual e baixarmos nossas músicas primeiro para o computador. Além disso, fontes afirmam que a empresa vem analisando uns oito cenários de interação wireless, desde a compra até um cenário em que usuários possam ouvir amostras de músicas de outros tocadores que estejam próximos ao seu e dentro de um hotspot wireless.

Além disso, os usuários poderão ver os playlists um do outro e dar recomendações de músicas e amostras de músicas.

O produto também terá interação com PC's e o console de videogame da Microsoft, o Xbox.

O grupo também divulgou em um comunicado "o novo projeto de música e entretenimento", o que dá pano pra manga, pois eu, pelo menos, entendi que o 'Zune' também vai agregar vídeos além de música.

Bom...desculpem-me os entusiastas da Microsoft, mas pra mim isso não é iPod killer! A única funcionalidade que vejo diferente do que o iPod tem hoje é o download wireless das músicas para o aparelho e a interação entre usuários. Mas convenhamos, mais cedo ou mais tarde (provavelmente mais cedo do que todo mundo imagina, mais precisamente no próximo dia 7, na conferência de desenvolvedores Mac), o Sr. Steve Jobs anunciará algo do gênero.

E quanto ao visual? Talvez uma tela melhor, mas que não compensa o design meio pobre para mim.

Resta saber agora sobre a facilidade de uso.

Entretanto, o fato de aparentemente ser difícil enfrentar o iPod não significa que o 'Zune' não irá alterar a dinâmica competitiva e estratégica desse mercado. No próximo post, comentarei as implicações econômico-estratégicas da entrada deste novo player no setor de música digital.

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Fim do pesadelo

Mauro Chaves
O pior de tudo era a sensação de inexorabilidade. Sentíamonos condenados - como numa tragédia grega - a um destino inelutável. Parecia que não haveria força alguma capaz de se contrapor ao empuxo avassalador da ignorância, aos efeitos perversos do despreparo mesclado de arrogância. Era como se um poder estranho se tivesse apossado das mentes e dos comportamentos, para perpetrar uma brutal inversão de valores: aquilo que fora pregado por mais de duas décadas valia por seu contrário. Os princípios éticos, a decência pública, os escrúpulos, o idealismo, antes cobrados de todos e defendidos com intransigência, tornaram-se objeto de puro escárnio, tal a distância demonstrada entre o dito e o feito, o pregado e o vivido, o prometido e o desprezado - resumindo-se tudo ao traiçoeiramente fingido.
De cima a baixo se impunha a influência demolidora do desprestígio do esforço pessoal do aprendizado. Decretara-se a derrocada do mérito, como critério da seletividade, e sua substituição irremediável pelo compadrio. Valorizara-se ao extremo a capacidade de exercer-se o tráfico de influência, ou de pelo menos admiti-lo sem qualquer resquício de sentimento de culpa. Fora-se com sede insaciável aos potes, com frenesi se abasteceram as quadrilhas - em volumes além da própria capacidade de consumo -, inventaram-se operações mirabolantes para garantir o crônico patrimonialismo em sua versão mais sórdida - ou seja, a apropriação de recursos públicos para a montagem de estruturas permanentes de funcionamento da rapina privada.
Elevara-se como padrão de excelência a quase-lógica, o curso das meias-verdades enganadoras, o mapa do 'como se fosse' no país do faz-deconta. Fizera-se um nivelamento por baixo, com desprezo total à precisão - de linguagem e d e compreensão da complexidade do mundo -, optando-se sempre por aquilo que 'impressiona' mais, que 'faz vista', como se os interesses cosméticos do marketing superassem os da real cidadania. É claro que nesse processo cultura e arte viraram perfumaria de ociosos burgueses - e se tentou 'enquadrar', cerceando, a produção cultural e audiovisual, da mesma forma que se tentou tolher a liberdade de expressão dos profissionais de imprensa.
Desrespeitaram-se as leis de forma sistemática, utilizando-se todos os recursos da assessoria pública para o exercí
cio da burla, da escamoteação, do encontro de brechas e fendas legislativas capazes de inverter os efeitos pretendidos das normas. Permitiuse a afronta direta aos direitos individuais, à propriedade, ao exercício da produção, à liberdade de locomoção e ao trabalho, especialmente no meio rural. Desprezaram-se as atribuições que caracterizam a majestade do cargo de poder maior, de tal forma a destruir a sua preciosidade simbólica, a sua altaneria, o seu decoro.
Usurparam-se obras alheias, atribuíram-se autorias e conquistas de antecessores, sem lhes conceder um mínimo de generoso reconhecimento, a ponto de se apelidar de 'herança maldita' o que fora a base indispensável de qualquer política positiva adotada. Na desvalorização da competência intelectual, com o objetivo de eliminar notórios contrastes com a mediocridade investida de poder, procurou-se demonstrar a não-importância do empenho na aquisição de conhecimento, como se o esforço de aprender fosse apenas uma saída para os menos agraciados com a intuição inata, a capacidade de improviso, o entendimento só de oitiva, próprio de quem até se envaidece com a ojeriza que sente pelos livros.
Adotou-se o assistencialis
mo predatório do esforço, o estímulo ao ganho sem produção, a detonação do orgulho de crescimento das famílias, as quais precisam manter um pacto com a pobreza para sobreviver com a esmola oficial. É aquilo que mais apropriado seria chamar de bolsa da vergonha, da expectativa gorada, da desistência do trabalho produtivo. E no mesmo espírito do 'como se fosse' do país do faz-de-conta, taparam-se mal e porcamente os buracos, aplicaram-se múltiplas gambiarras, inauguraram-se pencas de inutilidades, com estas pretendendo arrematar votos - pois o que não é respeitado sempre pode ser arrematado.
Por sobre tudo a torrencial propaganda oficial, a publicidade desbragada na colocação de cada poste. É claro que alternância no poder é coisa ótima, democrática, que reflete a plena liberdade de convicções e a pluralidade de opiniões numa sociedade. Mas acima do que a lei assegura, como condição de acesso de partidos e candidatos ao poder, é preciso que haja a viabilidade concreta dessa alternância, por meio de uma real competitividade. O jogo eleitoral com resultado prévio fixado era, no mínimo, tenebroso. Por isso, quando o desânimo já dominava os espíritos dos que nada viam além da repetição do ruim, eis que as benditas pesquisas mudam tudo, abrem uma alternativa e, só com isso, já decretam o fim do pesadelo.
Agora, é só acreditar na recuperação dos valores, na limpeza do espaço público,
no respeito às normas legais, no esforço do aprendizado, na escolha segundo o mérito, na correspondência da palavra ao ato, no prestígio da produção e do trabalho, na majestade do alto cargo público, nas instituições da democracia civilizada. Só resta atravessar com confiança o que falta para acabar com esse sonho ruim, acreditando que tudo não passou de um momentâneo, esporádico e acidental mal-entendido de nosso destino, que nem seqüelas haverá de nos trazer.


Mauro Chaves é jornalista, advogado, escritor, administrador de empresas e produtor cultural. E-mail: mauro.chaves@attglobal.net


Thursday, July 20, 2006

A guerra Israel-Hezbollah

Decidi publicar aqui alguns artigos interessantes sobre o mais novo conflito do Oriente Médio. É uma região em guerra há dois séculos. Não é uma situação que se resolva só com vontade política.

Os artigos abaixo servem para que você possa refletir sobre o assunto. Foram publicados originalmente na edição de quarta-feira, 19 de julho de 2006 no O Estado de S. Paulo:

Israel está alimentando o inimigo
Nicholas D.Kristof*
U ma das maiores tragédias do Oriente Médio é a 'síndrome do bumerangue'. Árabes impacientes apoiaram a violência e assim colocaram Ariel Sharon e agora Ehud Olmert no poder em Israel, deixando os pacifistas israelenses totalmente desacreditados. Alguns árabes indignados com seus desconfortos diários apoiaram as provocações que agora multiplicam o sofrimento tanto em Gaza como no Líbano.
Temo que israelenses impacientes caiam agora na mesma armadilha. Sentindo-se ultrajados com os ataques e seqüestros, os israelenses intensifica
ram o conflito, lançando um ataque ao Líbano que pode tornar a vida em Israel muito mais perigosa nos próximos anos. É fácil simpatizar com a revolta dos israelenses, particularmente porque os ataques contra seu país se seguem às retiradas de Israel, primeiro do Líbano e depois da Faixa de Gaza.
Mas os vencedores neste conflito, a médio e longo prazo, provavelmente serão os partidários da linha dura em todo o mundo muçulmano.
Os regimes iraniano e sírio são ilegítimos, incompetentes e impopulares, mas conseguem explorar o ódio nas imagens da televisão vindas do Líbano, que significam novas esperanças para eles próprios. Os apelos de extremistas paquistaneses por uma jihad (guerra santa) serão reforçados. No Sudão, o presi
dente Omar Hassan al-Bashir deverá arregimentar o ódio popular para resistir contra as forças de paz das Nações Unidas em Darfur. No Iraque, a simpatia pelos xiitas libaneses poderá fortalecer as milícias xiitas extremistas do próprio Iraque.
Ao mesmo tempo, não está claro o que Israel pode conseguir militarmente no Líbano.
Os 12 mil mísseis controlados pelo Hezbollah não são mantidos em arsenais, mas em casas e armazéns que passam despercebidos, e assim não é seguro que Israel consiga destruir mui
tas dessas armas. Se os israelenses insistirem numa guerra aérea limitada durante algumas semanas, só produzirão imagens de libaneses ensangüentados para a televisão, provocando a cólera do mundo, mas não conseguirão qualquer mudança substancial de poder no terreno.
Até este mês, o Hezbollah estava na defensiva no Líbano, pressionado para se desarmar e considerado um peão da Síria e do Irã. A Al-Qaeda até tentou assassinar o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah.
No entanto, agora Nasrallah, um dos mais astutos políticos da região, seqüestrou não só soldados israelenses, mas o conflito do Oriente Médio. Ele poderá até mesmo sair desta guerra mais respeitado por sunitas e xiitas.
Uma regra empírica no Oriente Médio é que qualquer pessoa que faça prognósticos seguros está sendo muito dogmática para que valha a pena escutá-la. Talvez eu esteja errado e Israel consiga atingir suas metas de segurança a curto prazo, pois é possível que esta guerra empurre o Conselho de Segurança das Nações Unidas e o próprio Líbano no sentido de desarmar o Hezbollah.
Contudo, a preocupação também é a longo prazo, e a fúria contra Israel será muito mais difícil de destruir do que os foguetes Katiusha do Hezbollah.
Viajei de carona pelo Líbano e região quando estudante em 1982, logo depois da invasão israelense. Embora a Síria tivesse massacrado recentemente cerca de 10 mil a 20 mil membros de sua população em Hama - o centro da cidade estava em ruínas -, muitos árabes não sabem que sírios matam sírios e estão enraivecidos porque israelenses mataram árabes. Pode não ser justo, mas a realidade é esta: o poder de Nasrallah hoje deve-se em parte aos bom
bardeios israelenses de 1982.
Da mesma forma, o sucessor radical do xeque em 2030 será levado ao poder em parte por causa dos bombardeios israelenses de 2006. 'É simples nos unirmos emocionalmente à guerra de George Bush contra o eixo do mal',
afirmou o jornal israelense Haaretz num editorial, 'mas é preciso lembrar que, no fim do dia, são os cidadãos de Israel e não os americanos que precisarão continuar vivendo no Oriente Médio. Portanto, precisamos pensar em meios que tornem possível a coexistência, mesmo com aqueles que não gostaríamos que estivessem conosco.' A longa experiência mostra que Israel não pode refrear as redes privadas de terror, mas pode conter os Estados. A Síria, por exemplo, despreza Israel, mas não lança foguetes nem seqüestra soldados. Dessa forma, Israel poderia se beneficiar de Estados mais firmes no Líbano e Gaza, que controlem efetivamente seus territórios. Mas, pelo contrário, as mais recentes ofensivas israelenses fomentam a anarquia tanto ao norte como ao sul, nutrindo potencialmente grupos militantes que não estão sujeitos ao modelo clássico de repressão.
Se Israel quer alcançar uma verdadeira segurança, temos uma boa idéia sobre como conseguir isso, ou seja, a solução de dois Estados, nos termos do acordo acertado em Genebra em 2003 entre pacifistas israelenses e árabes. Os combates
no Líbano afastam cada vez mais essa possibilidade - e, nesse sentido, cada bombardeio prejudica o futuro tanto de Israel como do Líbano. ?


* Nicholas Kristof é colunista do jornal ´The New York Times´


Aconteça o que acontecer, Israel não deve reconquistar o que perdeu



Richard Cohen*
N o m omento, o maior engano que Israel pode cometer é esquecer que ele próprio é um erro. Um erro honesto, bem intencionado, pelo qual ninguém é culpado, mas a idéia de criar uma nação de judeus europeus numa região de muçulmanos árabes (e alguns cristãos) produziu um século de guerras e terrorismo similares ao que estamos presenciando hoje. Israel combate o Hezbollah no norte e o Hamas no sul, mas seu maior inimigo é a própria história. É por isso que a guerra árabeisraelense, que se transformou numa guerra entre israelenses e muçulmanos (o Irã não é um Estado árabe), persiste e se amplia, e o conflito muda e se inflama. É por isso que Israel combate hoje uma organização, o Hezbollah, que não existia há 30 anos, e por isso o Hezbollah é apoiado pelo Irã, que outrora foi um aliado tácito de Israel. O ódio fundamental e subterrâneo que o mundo islâmico nutre pelo Estado judeu é apenas um borbulho na superfície. Os líderes da Arábia Saudita, Egito, Jordânia e alguns outros países árabes podem condenar o Hezbollah, mas duvido que o homem da rua compartilhe essa opinião.
De nada vale condenar o Hezbollah. Os fanáticos não se submetem à razão. E também não adianta condenar o Hamas. Trata-se de um fétido grupo anti-semita, cujo princípio de organização é o ódio por Israel.
Contudo, vale a pena advertir Israel para se conter - não por causa dos seus inimigos, mas para o bem do próprio país.
Aconteça o que acontecer, Israel não deve usar sua força militar para reconquistar o que já perdeu: a zona-tampão no sul do Líbano e a Faixa de Gaza.
Os críticos de linha dura de Ariel Sharon, o líder israelense (hoje em coma) que iniciou a retirada de Gaza, sempre afirmaram que Gaza se tornaria um abrigo de terroristas, que a Autoridade Palestina moderada
não conseguiria controlar os militantes e que a região seria utilizada para o disparo de foguetes e o lançamento de ataques terroristas contra Israel.
Foi exatamente o que aconteceu. É verdade também, como outros alertaram, que a saída de Israel do sul do Líbano foi considerada por seus inimigos - e reivindicada pelo Hezbollah - como uma derrota do poderoso Estado judeu. O Hezbollah assumiu o mérito disso, com razão. Seus ataques persistentes esgotaram Israel. No final, os israelenses acabaram se retirando e a ONU prometeu uma fronteira segura. O Exército libanês cuidaria dela (e até agora nada fez).
Todas as advertências tornaram-se realidade. No entanto, a retomada desses territórios seria pior. Israel bruscamente voltaria à antiga posição, subjugando uma população irada e impaciente e, aos olhos do mundo, cometendo os inevitáveis pecados próprios de uma potência de ocupação. A decisão inteligente será retornar às fronteiras que são defensáveis, embora não sejam intransponíveis. Significa sair da maior parte da Cisjordânia e esperar que (e ter esperança de que) a história tome um rumo distinto.
Isso vai levar algum tempo e, nesse intervalo, as ações terroristas e os ataques de foguetes continuarão.
Em seu livro a ser lançado,
The War of the World, o historiador britânico Niall Ferguson dedica um espaço considerável à horrível história dos judeus na Europa dos séculos 19 e 20. E não pensemos no Holocausto.
Em 1905 ocorreram massacres de judeus em 660 lugares diferentes da Rússia e mais de 800 judeus foram assassinados, tudo isso em menos de duas semanas. Esta foi a realidade da vida
para muitos judeus da Europa.
Não surpreende que tantos tenham emigrado para Estados Unidos, Canadá, Ar
gentina ou África do Sul.
Não surpreende que outros tenham abraçado o sonho do sionismo e ido para a Palestina, primeiro uma colônia da Turquia e depois da Grã-Bretanha. Na verdade, fugiram para salvar suas vidas. E muitos dos que ficaram - 97,5% dos judeus da Polônia, por exemplo - foram mortos no Holocausto.
Outro talentoso historia
dor britânico, Tony Judt, concluiu seu recente livro,
Postwar, com um epílogo sobre como é indispensável que o Estado civilizado moderno reconheça o Holocausto. Grande parte do mundo islâmico, sobretudo o Irã sob a presidência de Mahmud Ahmadinejad, que nega o Holocausto, permanece fora desse círculo e se recusa a dar mesmo um pequeno espaço para os judeus da Europa. Considera Israel não um engano, mas um crime.
Enquanto essa visão não for mudada, a guerra mais longa do século 20 vai persistir no século 21. Para Israel será melhor se conformar.
?


*Richard Cohen é colunista do ´Washington Post´

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Tuesday, July 18, 2006

Cresce chance de 2º turno entre Lula e Alckmin

Talvez tenhamos acordado e percebido que nem tudo é o que parece ser. Talvez. Mas aí, como sempre digo, cada país tem o presidente que merece.
É esperar para ver.

18/07/2006 - 20h48
Cresce chance de 2º turno entre Lula e Alckmin, aponta Datafolha
Da Redação
Em São Paulo


Aumentou a possibilidade de haver um segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, e o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, segundo pesquisa do Datafolha divulgada nesta terça-feira (18/07) pelo Jornal Nacional, da Rede Globo.

Lula aparece com 52% dos votos válidos. Para vencer no primeiro turno, é necessário obter 50% mais um dos votos válidos. A vantagem do petista está no limite da margem de erro do levantamento, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. No último levantamento do Datafolha, realizado nos dias 28 e 29 de junho, Lula tinha 54% dos votos válidos.

Em um eventual segundo turno, Lula obteria 50% dos votos e Alckmin, 40%. Os números mostram estabilidade com relação à pesquisa de junho, quando Lula obteve 51%, e Alckmin, 40%.

O petista lidera a corrida presidencial com 44% da intenção de votos. Alckmin aparece com 28%. Os números refletem oscilações dos candidatos dentro da margem de erro com relação à última pesquisa do Datafolha, em que Lula tinha 46% e Alckmin, 29%.

Heloísa Helena aparece em terceiro com 10% de intenção de votos, o que representa um crescimento de quatro pontos percentuais sobre o que a candidata do PSOL obteve na pesquisa de junho (6%).

Depois de Heloísa Helena, aparecem Cristovam Buarque, do PDT, José Maria Eymael, do PSDC, e Rui Costa Pimenta, do PCO, com 1% cada. Eleitores indecisos correspondem a 8%. Aqueles que pretendem anular o voto ou votar em branco somam 7% do eleitorado.

O Datafolha ouviu 6.284 pessoas entre os dias 17 e 18 de julho (segunda e terça-feira). A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número 11149/2006.

Morreu Raul Cortez

Aqui fica minha homenagem a Raul Cortez, que faleceu nesta noite em São Paulo. Admirava seu trabalho. Vi "Rei Lear" com ele. Nunca vi tamanho colosso no palco.
Obrigado, Raul!
18/07/2006 - 20h29 Da Folha Online

O ator paulistano Raul Cortez, 73, morreu nesta terça-feira (18), às 20h15, no hospital Sírio-Libanês, na Bela Vista (região central de São Paulo). Ele estava internado desde o último dia 30 de junho. O artista tinha câncer na região abdominal. Seu último trabalho foi na minissérie "JK" (Globo) neste ano, mas a lembrança mais presente é do personagem Jeremias Berdinazzi, imigrante italiano ranzinza da novela "O Rei do Gado" (1996-1997).

Folha Imagem
Natural de São Paulo, o ator Raul Cortez atuava na TV, no teatro e no cinema
Natural de São Paulo, o ator Raul Cortez atuava na TV, no teatro e no cinema
Em comunicado, o hospital citou que a morte ocorreu devido às "complicações relacionadas a um câncer na região abdominal". Ele estava sendo tratado pelo oncologista Paulo Hoff e pelo cirurgião Vincenzo Pugliese.

O velório será nesta quarta-feira, a partir das 7h, no Theatro Municipal de São Paulo, no centro de SP. A seu pedido, o corpo será cremado, na Vila Alpina (zona leste de SP), informou o hospital.

Em dezembro de 2004, Cortez foi operado para retirada de um tumor na região do pâncreas e intestino delgado. Na época, ele interpretava o personagem Barão de Bonsucesso em "Senhora do Destino" (2004-2005) e teve de deixar as gravações da novela da Globo. Após a cirurgia, fez tratamento quimioterápico.

Em junho de 2005, o ator surpreendeu desfilando com elegância na São Paulo Fashion Week, sendo aplaudido por dez minutos pelo público.

Novelas e política

Divulgação
Ator como o ranzinza Berdinazzi em "O Rei do Gado"; veja mais imagens
Ator como o ranzinza Berdinazzi em "O Rei do Gado"; veja mais imagens
Cortez ficou famoso na TV em novelas na Globo, a partir dos anos 80, como
"Água Viva" (1980), "Baila Comigo" (1981), "Partido Alto", "Brega & Chique" (1987), "Mandala" (1987-1988), "Rainha da Sucata" (1990), "O Rei do Gado" (1996-1997), "Terra Nostra" (1999-2000) e "Esperança" (2002-2003).

Em sua carreira teatral, Cortez recebeu cinco prêmios Molière. O ator deixa duas filhas: Lígia (com a atriz Célia Helena, que faleceu em 97), que lhe deu as netas Vitória e Clara; e Maria (com a promoter Tânia Caldas). Nos anos 70, ele provocou polêmica declarando a uma revista que todas as pessoas eram bissexuais. Também dizia que permaneceu virgem até os 23 anos.

O ator começou sua carreira no teatro e no cinema, nos anos 50. Fez o filme "O Pão Que o Diabo Amassou" (1957), dirigido pela cineasta Maria Basaglia. Outras atuações de destaque foram nos filmes "Lavoura Arcaica" (2001), de de Luiz Fernando Carvalho, e "A Grande Arte" (1991), de Walter Salles. Em 2004, brilhou ao lado de Fernanda Montenegro no filme "O Outro Lado da Rua", de Marcos Bernstein.

Cortez também tinha uma atuação política. Em 2002, declarou voto ao presidenciável tucano José Serra e fez até uma aparição em seu programa eleitoral. O ator chegou a ser condecorado com a medalha Ordem de Rio Branco pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Segundo a assessoria da Globo, Cortez nasceu no dia 28 de agosto de 1932, na região de Santo Amaro, em São Paulo. Inicialmente, o hospital havia divulgado erroneamente que Cortez tinha 74 anos.

Saturday, July 08, 2006

Desafios da Microsoft no mercado digital

Temos recebido sinais mais fortes de que a Microsoft realmente planeja lançar seu próprio tocador de música digital e sua loja de música online, possivelmente antes das festas de final de ano nos Estados Unidos. Mas a Microsoft não é aquela empresa que licencia seu sistema operacional para milhares de fabricantes de PCs? Por que razão, então, ela se lançaria na aventura de comercializar um sistema de música digital proprietário? Não é essa a estratégia adotada pela Apple desde sua criação, com o seu próprio sistema operacional, o MAC OS, e mais recentemente com o iPod e a loja de música online iTunes, e que recebe frequentes críticas de todos os lados?
A Microsoft cresceu e é o gigante de hoje porque licenciou seu sistema operacional (que teve suas origens na IBM) para os fabricantes de computadores pessoais. Essa estratégia deu certo no mercado de PCs, onde o Windows responde pela maior parte do mercado. Entretanto, esse mercado atingiu seu ponto de maturação nas economias desenvolvidas. A possibilidade de lucro é mais difícil. Além disso, ao que parece, não é uma estratégia adequada para o mercado digital de conteúdo, principalmente o de música e vídeo. A Apple, com seu iPod e sua loja iTunes, domina o mercado de tocadores digitais e o de download legal de músicas pela internet. E a empresa de Bill Gates não pode se dar ao luxo de deixar a Apple levar sozinha grande parte dos lucros deste mercado em franco crescimento.
As barreiras que a empresa de Redmond enfrentará são inúmeras. Entre elas, vai ter que antes de mais nada, explicar detalhadamente a seus atuais parceiros de hardware sua estratégia. Certamente essas empresas, como a iRiver, não ficarão satisfeitas em saber que sua principal fornecedora de software os abandonará depois de terem trabalhado por tanto tempo no ajuste de seus hardwares.
Além disso, e o que creio ser o mais difícil de se atingir, a Microsoft deverá superar a Apple no que ela tem de melhor: facilidade de uso do iPod e a integração fácil entre seu tocador digital e a sua loja online. A Apple também não pára no tempo e sua taxa de inovação é altíssima. E, por fim, é um mercado em alta expansãp. Tudo Isso criou uma vantagem muito grande para a Apple. Competir em pé de igualdade será um grande desafio para a Microsoft.
Por que a estratégia da Apple, de sistemas proprietários, e não a da Microsoft, de licenciamento de software a terceiros, deu certo no mercado de música digital? Essa é uma pergunta que poderemos responder em artigo posterior.