Saturday, November 18, 2006

Visão depois da chuva fria...
Já estou com saudades! Esperando o novo inverno chegar!

Friday, November 17, 2006


Milton Friedman morreu ontem. 94 anos. Um dos três ou quatro maiores economistas da época humana, certamente.

Keynes x Friedman, o herdeiro de Adam Smith. A visão de que o Estado deveria estimular a economia vs. As idéias de Friedman, que pregava a ausência do Estado (com exceção do uso de política monetária, daí sua classificação em monetarista) a fim de deixar o mercado regular as trocas entre os agentes econômicos.

Era um expoente da Escola de Chicago, que se opunha aos colegas do M.I.T e Harvard.

Seu argumento mais amplo era o de que era necessário ter liberdade econômica para se ter liberdade política. Afirmava que proibir, regular ou licensiar comportamentos humanos (como por exemplo, drogas ou até mesmo carteiras de motoristas) ou não funcionava ou criava burocracias ineficientes, defendendo a iniciativa priva totalmente desimpedida como a melhor alternativa para obtenção de resultados.


“In every generation, there’s got to be somebody who goes the whole way, and that’s why I believe as I do.”

Thursday, November 16, 2006

Ela não tem a mínima idéia sobre o que está falando

Olhando essa situação, você deixaria essa mulher tomar conta do seu dinheiro hoje em dia?



A verdade é que aqueles foram tempos confusos. Não dá pra defender o confisco, mas na teoria foi a única maneira. Teoricamente foi a única maneira. Explico em outra oportunidade.

Novo DJ na praça

Novo DJ na praça...quem quiser música de qualidade é só deixar um recado com telefone de contato!
Quem ouviu achou bom...



Wednesday, November 15, 2006

Filmes de plástico

Hoje vi um filme chamado Annapolis. Mais um sobre militares americanos, só que da Marinha. Mostra um mundo certinho onde tudo dá certo no final e a instituição sempre forte e intocável. Na volta para casa, ouço que um militar confessou sua participiação no estupro de uma garota de quatorze anos no Iraque.
O que é verdade e o que é mentira?

Mudanças

Resolvi prestigiar ainda mais Nosso Guia.
A partir de agora, ele terá um blog só dele. Era só o que faltava pra ele chegar mais perto do Criador. Fiz esse favor a ele.
Os textos de teor político que vocês liam aqui agora lerão em outro lugar. A linha de sombra continuará, agora concentrando-se no debate econômico, expondo teorias e história.
Divirtam-se.

Friday, November 10, 2006

O boom exportador chegou ao fim?

No último meio século as exportações brasileiras cresceram 9,2% ao ano, em valor, um ritmo semelhante ao do comércio internacional, que aumentou 9,9% ao ano. A preços constantes as taxas são ainda mais parecidas: 6,3% e 6,4% ao ano, respectivamente. Porém, ao contrário do observado para o total mundial, em que oscilações no desempenho individual dos países se compensam, o ritmo de expansão das exportações brasileiras variou muito. Na maior parte desse período o Brasil perdeu participação no comércio internacional, recuperando-a parcialmente em apenas três momentos: 1968-74, 1979-84 (época da fase "Milagre Econômico") e 2003-05, quando nossas exportações aumentaram 25%, 16% e 25% ao ano, respectivamente. Este ano, com uma expansão projetada de 14,2%, as vendas externas devem ir bem outra vez.

A análise destes três episódios revela a importância de cinco fatores principais na determinação do desempenho exportador: taxa de câmbio, incentivos tributários e creditícios, baixa pressão da demanda interna sobre a capacidade produtiva, ritmo de crescimento da economia mundial e preço das exportações. Os três primeiros foram particularmente relevantes em 1967-73 e 1979-84. Nestes períodos o câmbio se desvalorizou, foram criados diversos incentivos, inclusive subsídios depois proibidos pela OMC, e feitos grandes investimentos que permitiram expandir a oferta além do necessário para suprir o mercado doméstico. Em especial, em 1979-84 a desaceleração da demanda doméstica coincidiu com a maturação de grandes projetos de investimento para os quais a exportação, às vezes a custos variáveis, evitou maiores prejuízos. A expansão da capacidade produtiva e a natureza dos subsídios explicam um traço distintivo desses dois episódios, a grande diversificação setorial da pauta exportadora. Em 1968-74 também foi fundamental o forte aumento de preços em dólares, de 12% ao ano, que em 1979-84 ficaram estagnados.

O boom exportador de 2003-06 também decorreu em parte da forte depreciação cambial - descontada a inflação, em 2002-03 o real esteve 89% mais desvalorizado do que em 1997-98. Os incentivos tributários foram igualmente importantes, não por conta de novas medidas de estímulo, mas devido ao aumento da carga tributária - de 29,6% do PIB em 1997-98 para 37,4% do PIB em 2005. Como as exportações são isentas da maioria dos tributos, o aumento da carga as tornou relativamente mais atraentes. Ao contrário dos dois episódios anteriores, porém, não houve a maturação de novos investimentos importantes - em 1999-2002 a taxa de investimento a preços de 1990 foi 1,6% do PIB inferior à de 1995-98 - o que ajuda a explicar por que a recente expansão se deu sem alterações setoriais significativas na pauta de exportações. O que de fato contribuiu para estimular as exportações, neste caso, foi a estagnação da demanda interna, que em 2001-05 caiu 0,3%.

A expansão da economia mundial e dos preços em dólares também explica muito do recente boom, que nesse aspecto se assemelha ao de 1968-74. Em 2003-06 o comércio internacional se expandiu, em termos reais, cerca de 8,6% ao ano, quatro vezes os 2,2% observados em 2001-02 e perto dos 9,7% de 1968-74. O maior destaque, porém, foi o grande aumento dos preços, em dólar, das exportações brasileiras, de 10% ao ano, contra uma queda de 5% ao ano em 1999-2002. Contribuíram para isso, como em 1968-74, a depreciação do dólar e a política monetária frouxa nos países industrializados, que diminuiu o custo de manter estoques, inclusive os de natureza especulativa. Em particular, a taxa de câmbio efetiva real dos EUA se desvalorizou cerca de 4,7% ao ano em 2003-06, quase o dobro dos 2,5% ao ano de 1968-74.

Ainda que nos últimos anos as exportações brasileiras tenham superado as projeções mais otimistas, dificilmente isso se repetirá no próximo quadriênio. O mais provável é que elas entrem outra vez numa expansão em marcha lenta, como na maior parte dos últimos 50 anos. Vários fatores contribuiriam para isso. A forte apreciação da taxa de câmbio, que, medida em relação ao dólar e descontada a inflação, deve fechar este ano exatamente no mesmo nível que em dezembro de 1998, véspera da flutuação do real. O real desvalorizado de 1999-2003 estimulou uma forte expansão da base de empresas exportadoras, de 13,9 mil em 1998 para 17,9 mil em 2004. Para várias dessas empresas o real depreciado financiou investimentos iniciais de descoberta e entrada em mercados, e agora elas poderão neles permanecer mesmo com uma taxa de câmbio menos favorável. Mas para muitas, possivelmente a maioria, a apreciação do real dos últimos três anos forçará o abandono das exportações.

A recuperação da demanda doméstica, depois de um período de baixo investimento, também aumentará o custo de oportunidade de exportar. O Ipea prevê que a demanda doméstica cresça 4,7% ao ano em 2006-07, o que não é pouco, considerando que em 2003-05 a taxa de investimento a preços de 1990 ficou 1,3% do PIB abaixo do já reduzido patamar de 1999-2002. Os estímulos tributários também devem perder força, na margem, como estímulo às exportações: ainda que a carga tributária deva continuar aumentando, é improvável que o faça no mesmo ritmo dos últimos anos.

As notícias em relação à economia mundial também não são boas. O crescimento do comércio internacional deve desacelerar em 2007, ainda que permanecendo num patamar elevado. O cenário para os preços das exportações é menos alvissareiro. O dólar deve continuar a se depreciar, mas bem mais lentamente que em anos recentes, o que em um ambiente de crescimento mais lento do PIB mundial e após a subida dos juros nas economias industrializadas não será suficiente para impedir uma reversão na tendência do preço das commodities não-petróleo. O FMI projeta uma queda de 5% em 2007, depois de uma escalada de 17% ao ano em 2004-06. Novas quedas podem ocorrer nos anos seguintes.

Tudo faz crer, portanto, que o boom exportador está chegando ao fim. Resta saber se desta vez serão os pessimistas a serem surpreendidos por uma expansão ainda menor do que a prevista pelo mercado, de 5% ao ano, em valores correntes, em 2007-10.

Tuesday, November 07, 2006

O Brasil é maior que a reeleição

Goste-se ou não do resultado das urnas, o fato é que o país vai sobreviver a qualquer ocupante do Palácio do Planalto -- por pior que seja sua gestão


Por J. R. Guzzo


A única coisa de bom que se pode dizer sobre a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para mais um mandato é que esta foi a decisão da maioria do eleitorado brasileiro, expressa nos 60% de votos que obteve no segundo turno. Pior, para o Brasil, seria ter um presidente que a maioria não quer, ou não ter aquele que quer, como já aconteceu tantas outras vezes. Agora, pela quinta vez seguida, o país elege seu presidente da República pelo voto livre, direto e eletrônico, algo que, considerando-se as desordens do passado, já é um grande avanço e, também, um patrimônio a ser preservado. Todo mundo tem o direito de achar que Lula foi e continuará sendo um presidente muito ruim, mas qualquer outra atitude que não seja aceitar a decisão das urnas é erro em estado 100% puro. Os que não queriam que ele fosse reeleito tiveram sua oportunidade de derrotá-lo nas eleições encerradas no dia 29 de outubro; se não conseguiram, paciência. Nas quatro eleições que perdeu, três para a Presidência e uma para o governo de São Paulo, Lula disse que o eleitorado não sabia votar, como dizem hoje muitos de seus adversários. Talvez estivesse certo, mas esse é o único eleitorado que existe -- e é com ele que o país tem de conviver.

É bom lembrar, também, que o Brasil não acaba com a reeleição de Lula, até porque continuará a haver eleições -- e elas servem como porta de entrada e de saída. Tem tudo para ficar pior, pois o governo está longe de esgotar toda a capacidade de sua caixa de ferramentas; se as calamidades que produziu ao longo dos últimos dois anos não impediram que o presidente tenha sido reeleito, por que fazer algo diferente do que vem fazendo até agora? Fica pior mas sobrevive, como já sobreviveu. Dizia-se que ou o Brasil acabava com a saúva, ou a saúva acabava com o Brasil. Nunca se soube, exatamente, o que aconteceu com as saúvas. Supõe-se que tenham acabado, já que o Brasil não acabou. Também não vai acabar agora.

Cheiro de queimado

O público brasileiro vem sendo informado, pelo governo e por políticos das suas redondezas, que o grande problema do país é São Paulo. Por acharem que falar mal de São Paulo rende votos, por acreditarem que o Brasil está sempre precisando de algum problema novo ou simplesmente por falta do que dizer e fazer, os defensores da idéia vêm tentando transformar numa acusação mais ou menos tudo que possa ser tido como paulista. É como se faz com a elite, a privatização ou outras palavras que integram a atual lista negra da política nacional: passou a ser um genérico de coisa ruim. O presidente Lula, que vive desde os 6 anos de idade em São Paulo, nessas horas se lembra que nasceu em Pernambuco e revela que o Brasil não pode ser governado com a "cabeça da avenida Paulista" -- algo que não se sabe precisamente o que significa, mas bom não deve ser. Seu partido, o PT, acusa a si próprio de ser paulista demais e acha que é aí, e não nas suas complicações com a polícia, que está o problema. Há casos de políticos e empresários paulistas que não querem parecer paulistas. O ex-ministro Ciro Gomes, do alto do seu cartaz com o presidente da República, sonha com um Brasil em que São Paulo não existisse.

Há um cheiro de queimado nessa história toda. Até pouco tempo, pensava-se que tinha saído de moda falar mal de São Paulo, onde a União arrecada 41% de todos os seus impostos. Mas nunca se deve subestimar a capacidade do governo e do PT em ressuscitar idéias ruins. No caso, a ruindade está no estímulo à divisão -- São Paulo contra o Brasil, norte contra sul, quem se formou contra quem não é formado e, no fundo de tudo, "nós" contra "eles", uma noção na qual fica claro que "nós" é quem está no governo ou a seu favor, mas nunca se explica direito quem seriam "eles". Joga-se na fabricação de inimigos que podem ser utilizados, a qualquer hora, para receber a culpa por problemas não resolvidos. Coloca-se sobre eles, ao mesmo tempo, uma vaga sombra de "anti-Brasil". Ciro Gomes, por exemplo, assegura que São Paulo "não faz parte da sociologia brasileira". Faz parte de qual sociologia, então? O ex-ministro não diz nem especifica o que São Paulo teria de mudar para satisfazer os critérios pelos quais ele classifica o que é brasileiro e o que não é.

O governo faz um percurso torto ao navegar nessa maré. De um lado, é presidido por um homem que fez toda a sua carreira política em São Paulo e encheu sua administração com dezenas de paulistas; de outro, não quer perder a oportunidade de pescar nessa demagogia confusa. Não lhe ocorre lembrar que São Paulo poderia ser considerado o lugar mais brasileiro do Brasil, pois nenhum outro tem em sua população tanta gente vinda de outros estados. Ou, então, que o Brasil vem sendo governado, sim, por presidentes saídos de São Paulo desde a eleição de Fernando Henrique em 1994, mas quem decidiu isso não foram os paulistas, e sim a maioria da população brasileira, em quatro eleições sucessivas. Mas essas coisas fazem parte do mundo dos fatos. O governo não está interessado nisso.

TIM Brasil à venda

A TIM está à venda no Brasil. Possíveis candidatos: América Móvil e Brasil Telecom, em parceria com a Telefónica (que está em todas).

O ganhador do leilão terá conquistado a jóia da coroa de telefonia no Brasil, iniciando o processo de consolidação do setor no país, o que possivelmente diminuiria a competição e prejudicaria os clientes finais.

Mas como o vencedor deverá devolver ao governo a sua licença atual de operação, talvez a competição não seja assim tão afetada. Para isso, o processo deve ser acompanhado de outros mecanismos como, por exemplo, a possibilidade do cliente não aceitar sua migração à nova base do ganhador do leilão.

Esperemos o desenrolar dos fatos.

Efeitos da privatização

Para os petistas "bolchevique-dirceuzistas", como define-se o grupo de vermelhinhos que acreditam no poder revolucionário de 1918 (incluindo aqui os intelectuais de pijama, os estudantes que vão no cinema e na fila, ao não conseguir pagar para ver o filme gritam "capitalismo selvagem!!", e a filósofas especialistas em Espinoza), segue um quadro que demonstra a irrefutável realidade das privatizações: elas MELHORARAM a situação das empresas que foram vendidas à iniciativa privada. Se não por todos os índices que constam da tabela abaixo (de autoria do jornalista Gustavo Paul, de Exame), pelo menos por um único: o aumento do número de funcionários (do emprego).
É a economia, estúpido!

Melhora indiscutível
Os indicadores comprovam que a privatização gerou ganhos de eficiência, de qualidade de serviços e de número de empregos em diversos setores e empresas. Confira como era e como ficou
SETORES
Siderurgia
Investimentos
  (em bilhões de dólares)
1991 0,3
2005 1,9
Produtividade
  (em toneladas por trabalhador por ano)
1991 188
2005 377
Empregos
1991 69000
2005 95100
Telefonia
Telefones fixos e celulares em uso
  (em milhões)
1997 23
2006(2) 137
Preço da linha telefônica fixa
  (em dólares)
1997(1) 4000
2006(2) Zero
Empregos
1997 91000
2006(2) 316500
(1) Média nacional no mercado paralelo (2) Em agosto
Distribuição de energia elétrica
Interrupções no fornecimento de luz
  (em vezes por ano)
1997 21
2005 12
Total de residências atendidas
1997 92%
2005 97%
Empregos
1997 65300
2005 115000
Obs.: os dados referem-se exclusivamente às empresas privatizadas de cada setor. Nos setores em que houve grande terceirização de atividades (siderurgia, telefonia, ferrovias), são considerados os totais de empregos diretos e indiretos após a privatização

Monday, November 06, 2006

Esquerda positiva, esquerda negativa

Marcelo de Paiva Abreu, Estado de S. Paulo, Economia, p.B2.

S oa atual a distinção feita por Santiago Dantas, ministro da Fazenda de Jango Goulart, em abril de 1963. Enfatizou o contraste entre esquerda 'positiva' e esquerda 'negativa'. Esquerda 'positiva', interessada na estabilização como precondição para a retomada do crescimento econômico. Esquerda 'negativa' - com posição destacada de Leonel Brizola, da ala esquerda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), de sindicalistas e partidos à esquerda na coalização governamental -, que se batia por políticas fiscal e creditícia frouxas.
Alguns analistas têm ressaltado o paralelo com os dias atuais. A ascensão do Partido dos Trabalhadores (PT) teria precedente na história do Partido Trabalhista Brasileiro entre 1945 e 1964. O PTB só não se teria tornado força hegemônica indiscutível porque o golpe interrompeu a sua irresistível ascensão. O PT seria o herdeiro do PTB. Não há dúvida de que o PTB foi, entre os grandes partidos políticos brasileiros pré-1964, o que mais cresceu após 1945. Sem organização nacional, teve poucos votos a mais que o Partido Comunista Brasileiro em 1945 e elegeu apenas 22 deputados (em 286). Em 1962, elegeu 105 deputados (em 409), ultrapassando a UDN e chegando perto dos 125 do PSD. O eleitorado do PTB, em contraste com o PT pré-grotões, era fraco nas regiões industrializadas do País, especialmente em São Paulo. Era forte no Rio Grande do Sul, Estado onde agora o PT amargou retumbante derrota. E, também, no sindicalismo oficialista herdado do Estado Novo, em contraste com o PT, partido do novo sindicalismo que surgiu das bases nos anos 1970.
Há dúvidas se a expansão do PTB teria sido irresistível sem o golpe e, mais ainda, quanto à homogeneidade do partido.
Era ciclópica a esquizofrenia entre o idealista Alberto Pasqualini e o peleguismo sindical herdado de Vargas e consolidado por João Goulart. O que era o PTB no seu auge? Seria o PTB de Jango, presidente fraco e inapetente, perdido em meio às lutas internas na sua coalizão? Ou seria o PTB radical de Brizola, legitimado pela resistência ao golpe em 1961, eleito deputado pelo Rio de Janeiro com votação consagradora, candidato a ministro da Fazenda, promotor do mote 'cunhado não é parente', para viabilizar sua candidatura presidencial em 1965? Ou seria o PTB moderado de Santiago Dantas, deputado federal reeleito em 1962, derrotado na postulação para suceder a Tancredo Neves como primeiro-ministro, ministro da Fazenda em 1963? É fragmentação que deixa o PT de hoje parecer monolítico. É salutar tentar retirar lições da História. Mas é importante chegar a acordo sobre o que é o registro histórico. A história do PTB parece ensinar pouco sobre a irresistível ascensão de coalizões 'populares' no Brasil. Mas ensina bastante sobre a vocação antropofágica de tais coalizões e também sobre as suas dificuldades em conciliar pretensões políticas ambiciosas com programas de governo exeqüíveis. Os eventos que, em 1961, se seguiram ao remendo parlamentarista são pedagógicos. Os fracassos sucessivos de Tancredo Neves, à frente de um Gabinete rotulado por ele mesmo como de 'real União Nacional', e de Brochado da Rocha levaram à desmoralização da 'solução' parlamentarista e à vitória do presidencialismo no plebiscito de janeiro de 1963.
Houve importante reforma ministerial e o governo, consciente da necessidade de pôr a casa em ordem, se engajou, com o Plano Trienal, em esforço sério de estabilizar a economia e voltar a crescer. Mas, ilustrando o argumento de que governo de coalizão popular, mesmo quando consegue formular, tem dificuldade em implementar, o processo de ascensão e queda do Plano Trienal ocorreu em quatro meteóricos meses. A ortodoxia fiscal e monetária de Furtado e Dantas, com FMI e tudo, foi fragorosamente derrotada pela versão contemporânea do desenvolvimentismo à outrance encabeçada por Brizola, Pellacani et caterva, e levou à amargura de Santiago Dantas na sua taxonomia da esquerda. Prevaleceu a tese de que estabilização é coisa de reacionário.
No primeiro mandato de Lula, o papel de esquerda 'positiva' ficou por conta de Palocci e Meirelles, contrapostos a muitos críticos da suposta ênfase excessiva no controle da inflação. Foi a ação da esquerda 'positiva', combinada à popularidade pessoal do presidente, com uma pitada de políticas sociais eficientes, que levou Lula à vitória. Mas o presidente parece ser um dos poucos a reconhecer isso. O coro dos autodenominados 'desenvolvimentistas' que se fez ouvir nos últimos dias, pressionando pela manutenção de Guido Mantega na Fazenda, mas tendo como arautos principais Tarso Genro e Dilma Rousseff, defendeu o abandono da política macroeconômica prudente com base no argumento de que o Brasil precisa crescer a pelo menos 5% ao ano. A confusão entre querer e poder é total. As pressões para mudança de rumos foram feitas sem qualquer idéia de como se chegaria ao nirvana, além do habitual tatibitate de que é preciso reduzir os juros reais.
Nunca é inútil lembrar que os resultados da boa política macroeconômica adotada no primeiro mandato dão folga para que as trapalhadas planejadas pelos que defendem a mudança de curso possam perdurar por longo tempo antes que os habituais sinais de alarme comecem a soar. Seria desejável que o bom senso já demonstrado por Lula em 2002 volte a entrar em ação. O problema é que talvez lhe falte tripulação para fazer o bom senso prevalecer.


*Marcelo de Paiva Abreu, doutor em Economia pela Universidade de Cambridge, é professor-titular do Departamento de Economia da PUC-Rio

Friday, November 03, 2006

É o Apagão Aéreo

O Nosso Guia ficou "irritado" com o Apagão aéreo. Mas os integrantes do governo, junto com especialistas, haviam avisado a Casa Civil do risco já em 2003. Por que nada foi feito? Por que não se investiu na área em 2003?
É O APAGÃO AÉREO. NOSSO GUIA COMEÇOU BEM O SEU SEGUNDO MANDATO. E VAI TERMINAR MELHOR AINDA.
É só o começo, pessoal!!
E não adianta reclamar, porque se reclamar, Nosso Guia vai nos perguntar o que nós queremos fazer.

Deixa o homem descansar

Você tá no aeroporto esperando o avião? Olha onde o seu presidente está:



Parece que o vôo dele chegou ali sem atrasos, viu?

Em feitio de retaliação

Dora Kramer - O Estado de S. Paulo, 02/11/2006 p. A8
Pressupostos básicos para o sucesso da intenção manifesta pelo presidente Luiz Inácio da Silva de, no segundo mandato, estabelecer relações mais civilizadas e transparentes com a imprensa, vale dizer, de elevar seu nível de interlocução com a sociedade: respeito ao contraditório, tolerância às críticas, convivência com a divergência e, sobretudo, compreensão de que dar entrevistas não é concessão, é cumprimento de um dever a ser exercido em momentos favoráveis e desfavoráveis - principalmente nestes -, sob o critério da liberdade irrestrita de questionar e da disposição de responder sem tergiversar.
As primeiras 48 horas após a vitória de domingo não foram exatamente auspiciosas no tocante à realização da proposta presidencial. Se mudança houve neste curtíssimo período, foi para bem pior.
Em dois dias tivemos a pregação da vingança contra meios de comunicação em ato público de petistas, o convite do presidente do PT e assessor presidencial, Marco Aurélio Garcia, para que os meios de comunicação revejam suas críticas ao governo, a intimidação de profissionais da revista Veja na Polícia Federal, de novo Garcia em ato de grosseria explícita, mandando em entrevistas que jornalistas 'cuidem de suas redações' porque ele não gostou de perguntas sobre o futuro do PT, o ex-ministro Ciro Gomes defendendo concessões de funcionamento e financiamento público a veículos amigáveis e, coroando as ações, a avaliação de presidente da República de que a retaliação não é conveniente, pois transforma a dita imprensa insubordinada em vítima.
Começando pela última dessa série de manifestações absolutamente dissociadas da dinâmica dos regimes democráticos: o presidente não condena as agressões por princípio, mas por tática de atuação política. Na sua visão, não é hábil 'vitimizar' parte da imprensa, mas dele seria de se esperar um apelo ao bom senso endereçado aos seus bolsões mais radicais, tal como fez em relação à economia ao pôr um freio no entusiasmo dos defensores de viravoltas na política que lhe permitiu governar 4 anos e agora se reeleger.
No chamamento à 'auto-reflexão' da imprensa sobre seu comportamento em relação do governo, Marco Aurélio Garcia impõe como 'obrigação' dos meios de comunicação um pedido de desculpas pelo tratamento dado aos escândalos de corrupção porque, segundo ele, o 'jornalismo investigativo' não conseguiu provar nada.
Primeiro, o engano: conseguiu sim, junto com o Congresso, reunir evidências suficientes para que o procurador-geral da República denunciasse à Justiça a existência de uma 'organização criminosa' dentro do governo.
Depois, o equívoco: pedido de desculpas espera-se de quem infringiu as normas do decoro público ou do Código Penal, não de quem age em consonância ao preceito da liberdade de expressão - legal e legítimo.
No caso da Veja, ainda que possamos creditar a intimidação em depoimento sobre reportagem a respeito da operação abafa da Polícia Federal no episódio do dossiê a um excesso corporativo do delegado Moysés Ferreira, ele só se deu ao desfrute de constranger testemunhas e tratá-las como criminosas porque de alguma forma sentiu-se respaldado para isso. Tanto que o fez depois de confirmada a reeleição de Lula e não antes.
A reação do governo foi meramente formal e a pior atitude ficou com a Federação Nacional dos Jornalistas que, liminarmente, aceitou a versão da polícia. Ressentida pela frustração de ter sido bombardeada em seu intento anterior de formar um conselho para 'controlar, fiscalizar e disciplinar' as atividades da imprensa, a Fenaj agiu como oficial de um departamento de divulgação e informação.
O ex-ministro e deputado eleito Ciro Gomes propõe a criação de uma rede de jornais, revistas e emissoras de rádio e televisão por intermédio das quais o governo possa 'dialogar' com a sociedade da maneira que lhe parece mais conveniente: dizendo só o que quer sem ouvir o que não quer. Isso mediante concessão de verbas públicas - providência evidentemente ligada ao grau de dependência editorial previamente combinado, explícita ou implicitamente.
Lembrou muito as reclamações do PFL contra o então ministro Sérgio Motta pelo fim da prerrogativa do Congresso de distribuir concessões de rádio e televisão por critérios políticos, porque isso tirava do governo um poderoso instrumento de manipulação do Congresso.

Nova ameaça à imprensa

Certamente os petistas que, na segunda feira, se colocaram como 'leões-de-chácara' para fazer a triagem - na base do insulto e da agressão física - dos repórteres que pretendiam entrevistar o recém-reeleito presidente Lula, quando este voltava para o Palácio da Alvorada, não passavam de um bando de boçais, daqueles que sempre envolvem altas autoridades sob o pretexto de 'protegê-las' e muitas vezes externam a truculência ínsita ao próprio temperamento, independentemente de qualquer comando a que tivessem obedecido, neste sentido. É claro que muitos destes poderiam julgar estarem ali defendendo suas sinecuras de 'aspones', visto que, fora da administração aparelhada, talvez tivessem muita dificuldade em manter o padrão do próprio emprego. De qualquer forma, o episódio poderia ser relegado à conta de boçais isolados que, ao tentarem intimidar a imprensa, o máximo que conseguem é ser ridículos.
A tentativa de intimidar os três jornalistas da revista Veja, no momento em que prestavam depoimento à Polícia Federal (PF), pareceu um claro 'recado' enviado àquele veículo de comunicação - e, por tabela, a todos os demais - quanto à possibilidade de testemunhas poderem ser transformadas em 'suspeitos', dependendo da contundência crítica das matérias publicadas e da disposição, dos jornalistas, de revelar ou não as fontes de suas informações. O desrespeito à liberdade de informar e opinar - conquista consignada em uma das constituições mais anticensórias do mundo, como a nossa, justamente por termos passado pela férrea censura da ditadura militar - ficou mais do que patente, já pelas ameaças usadas pelo interrogador (quando mandou 'recado' aos editores da revista), pelo tolhimento da participação da advogada dos jornalistas e até pela absurda (e ilegal) recusa em dar aos depoentes cópia do que haviam oficialmente alegado.
De qualquer forma, a vexatória atitude da PF, contra os repórteres Julia Duailibi, Camila Pereira e Marcelo Carneiro, por mais que comprometa a instituição policial federal, pode ser atribuída a uma também isolada boçalidade - no caso, a do delegado Moysés Eduardo Pereira. Agora, o que justifica o temor de uma ameaça à liberdade de imprensa, por parte de um governo recém-reeleito (que prometeu, aliás, melhorar seu relacionamento com os veículos de comunicação), é o pronunciamento disparatado e fascistóide de quem exerce a função de presidente do Partido dos Trabalhadores e assessor especial do presidente da República - tendo sido o coordenador final de sua campanha eleitoral.
Com efeito, Marco Aurélio Garcia - que vai se tornando a figura mais sinistra do staff presidencial -, depois de uma suave condenação à violência praticada pelos boçais da porta do Alvorada, aproveitou para concitar os jornalistas a fazer uma 'auto-reflexão' sobre 'o papel que tiveram nesta campanha eleitoral', pretendendo, em última instância, que os profissionais e veículos de comunicação se retratem, peçam desculpas pelas críticas que fizeram ao governo e seus 'erros'. O atual chefe dos petistas deseja que a imprensa passe a considerar o mensalão uma pura invenção - como se o insuspeito procurador-geral da República (nomeado pelo presidente Lula) não tivesse feito constar em seu relatório, expressamente, que uma sofisticada quadrilha, integrada por membros da cúpula do governo e do PT, agia em plano federal com o objetivo de 'garantir a continuidade do projeto de poder do Partido dos Trabalhadores mediante a compra de suporte político de outros partidos'. Quem foi que 'inventou' isso, então? O pior é que esse tipo de manifestação inequivocamente censória e antidemocrática não pode ser vista como caso isolado, pois há o precedente da tentativa de criação do Conselho Federal de Jornalismo do projeto da Fenaj, aprovado por Lula, há o projeto do PT de 'democratizar os meios de comunicação', assim como há, mais recentemente, as declarações do sempre raivoso oligarca de Sobral, Ciro Gomes, sobre a necessidade do governo de 'incentivar' a criação de uma 'imprensa plural'. É claro que a imprensa é (até orgulhosamente) responsável por ter vindo à tona toda essa lama, sobre a qual Marco Aurélio Garcia queria que ela silenciasse. Mas só por máfé poder-se-ia, no caso em pauta, confundir a origem com o canal de extravasão (da sujeira).